Investimento em saneamento cresce 51%, mas desigualdade persiste
Saneamento: alta de 51% nos investimentos, mas desigualdade

Seis anos após a implementação do Novo Marco Legal do Saneamento, os investimentos no setor cresceram 51%, totalizando R$ 112,6 bilhões. No entanto, esse montante ainda está aquém do necessário para universalizar o acesso à água tratada e coleta de esgoto no país. A conclusão é de um estudo do Instituto Trata Brasil, que aponta que o valor ideal seria de R$ 225 por habitante ao ano.

Crescimento insuficiente para meta de universalização

Apesar do avanço, o volume investido representa apenas 60% do necessário para que o Brasil atinja as metas de universalização estabelecidas para 2033. O estudo revela que, para cumprir os objetivos, seria preciso aplicar cerca de R$ 187 bilhões adicionais até o final da década. O presidente do Instituto Trata Brasil, Luiz Roberto de Oliveira, afirmou que "o aumento é significativo, mas ainda estamos longe do ideal. É preciso reforçar o compromisso dos governos e das empresas prestadoras para acelerar os investimentos."

Desigualdade regional na alocação dos recursos

A distribuição dos investimentos é marcada por forte desigualdade regional. O Sudeste concentrou mais da metade dos recursos (52%), enquanto o Norte e o Nordeste, regiões com os piores indicadores de saneamento, receberam, juntos, apenas 18% do total. A situação é crítica em estados como o Amazonas, onde apenas 12% da população tem acesso à coleta de esgoto. "Precisamos de políticas mais agressivas para direcionar investimentos para onde eles são mais urgentes", destacou Oliveira.

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Impacto na saúde e no meio ambiente

A falta de saneamento básico afeta diretamente a saúde pública e o meio ambiente. Dados do Ministério da Saúde indicam que, em 2025, foram registradas mais de 250 mil internações por doenças de veiculação hídrica, a maioria em regiões com baixa cobertura de saneamento. A universalização do acesso à água e esgoto poderia reduzir em até 40% essas internações, além de gerar economia de R$ 1,5 bilhão por ano para o sistema de saúde.

Desafios para os próximos anos

O estudo do Trata Brasil aponta que, para alcançar a universalização, é necessário um investimento médio anual de R$ 31 bilhões, valor superior aos R$ 18,8 bilhões aplicados em média nos últimos seis anos. Entre os principais desafios estão a falta de capacidade técnica de muitos municípios, a burocracia para liberação de recursos e a necessidade de maior participação do setor privado. "O marco legal abriu caminho para parcerias, mas a execução ainda é lenta", concluiu Oliveira.

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