Um estudo do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) divulgado nesta quarta-feira revela que a integração eficiente entre os modais rodoviário, ferroviário e portuário pode reduzir os custos logísticos do Brasil em até 30%. A conclusão é baseada em simulações que consideram a malha atual e projetos de expansão previstos até 2030.
Cenário atual e gargalos
Atualmente, o transporte rodoviário responde por mais de 60% da carga movimentada no país, mas apresenta custos elevados e alta emissão de poluentes. O estudo aponta que a falta de conexões entre ferrovias, hidrovias e portos gera ineficiências que encarecem o frete em média 25% em relação a países como EUA e Austrália. Segundo o economista-chefe do BNDES, Carlos Alberto Pereira, "a integração modal é o principal desafio para elevar a competitividade do agronegócio brasileiro".
Projetos em andamento
Entre as iniciativas analisadas estão a Ferrovia Norte-Sul, a Ferrogrão e a ampliação dos portos de Santos e Paranaguá. A simulação indica que, com a conclusão desses projetos, o custo de transporte da soja do Mato Grosso para o porto de Santos cairia de R$ 320 para R$ 224 por tonelada, uma redução de 30%. O BNDES prevê investimentos totais de R$ 80 bilhões até 2026, sendo R$ 35 bilhões já contratados.
Impactos econômicos e ambientais
Além da redução de custos, a integração modal pode diminuir em 40% as emissões de CO₂ no transporte de cargas, contribuindo para as metas climáticas do país. O setor agrícola, maior usuário da logística brasileira, seria o mais beneficiado. "Estamos falando de um ganho de R$ 50 bilhões por ano para o PIB, mas isso depende de concessões bem desenhadas e de uma regulação que incentive a multimodalidade", afirma o diretor de Infraestrutura do BNDES, Maria Silva.
Desafios regulatórios
Apesar dos benefícios, o estudo aponta entraves como a falta de padronização dos contratos de concessão e a burocracia nas licenças ambientais. A Confederação Nacional da Agricultura (CNA) defende a criação de um marco legal para a multimodalidade, com incentivos fiscais para empresas que utilizarem mais de um modal. "O Brasil já perdeu muito tempo. Precisamos de ação coordenada entre governo e iniciativa privada", disse o presidente da CNA, João Martins.
Próximos passos
O BNDES recomenda a criação de um fundo de infraestrutura logística com recursos do BNDES e do setor privado, além de leilões integrados para concessão de trechos ferroviários e terminais portuários. A expectativa é que, até 2030, a participação do modal ferroviário suba dos atuais 15% para 25%, e o hidroviário de 10% para 18%. "Estamos no caminho certo, mas é preciso celeridade nas obras e na desburocratização", conclui Pereira.



