A concessionária Ecovias Imigrantes anunciou nesta sexta-feira (26) que não conseguirá implantar o sistema de pedágio eletrônico free flow no Sistema Anchieta-Imigrantes (SAI) até a data prometida, 1º de julho. Em comunicado, a empresa justificou a mudança "devido à fase de testes e ao processo de homologação ainda em andamento". A concessionária não divulgou uma nova data para início das operações.
Como funciona o free flow
O free flow é um sistema de pedágio eletrônico sem cancelas que permite a cobrança automática da tarifa sem que o motorista precise parar ou reduzir a velocidade. A Ecovias iniciou a fase de testes do novo sistema, chamado Siga Fácil, no SAI no início de junho, após a conclusão da instalação dos pórticos na Via Anchieta (km 33) e na Rodovia dos Imigrantes (km 29), em ambos os sentidos.
Atualmente, o pedágio do SAI é o mais caro do Brasil, com valor cheio de R$ 38,70 por veículo. Com a cobrança free flow, a tarifa será reduzida para R$ 19,35 tanto na subida quanto na descida para o litoral paulista, dividindo os valores. Hoje, o motorista que desce para o litoral paga R$ 38,70 e não paga na volta. Com a nova tecnologia, o valor será dividido.
Impacto para motoristas da Baixada Santista
Motoristas que saem da Baixada Santista pelas rodovias Padre Manuel da Nóbrega (pedágio de R$ 10,90) e Cônego Domênico Rangoni (R$ 18,30) pagam normalmente nessas vias. A partir de 1º de julho, também pagariam o pedágio no trecho de planalto da Anchieta e Imigrantes, no sentido da capital, altura de São Bernardo do Campo, mas a cobrança ainda não começará.
Segundo a Ecovias, neste momento não haverá cobrança de tarifa aos usuários. Os testes incluem validações técnicas, integrações sistêmicas e calibração dos equipamentos, acompanhados pela Agência Reguladora de Transportes do Estado de São Paulo (Artesp), responsável pela homologação do sistema.
Declaração da concessionária
“Esta etapa tem como objetivo validar o funcionamento da tecnologia em condições reais de tráfego. O sistema passa por testes para aferir a leitura de tags e placas e preparar a transição para o novo modelo de cobrança”, afirmou Ronald Marangon, diretor-superintendente da Ecovias Imigrantes.
Os pórticos utilizam tecnologia de identificação veicular com câmeras, sensores e antenas. Câmeras com OCR (Reconhecimento Óptico de Caracteres) leem as placas dianteiras e traseiras em todas as faixas. Sensores a laser classificam veículos por altura, largura, comprimento e eixos. Antenas identificam tags eletrônicas. Os dados são enviados a um sistema central que calcula a tarifa.
Modernização e histórico
A implantação do pedágio eletrônico integra a modernização da infraestrutura rodoviária paulista, conduzida pelo Governo do Estado por meio da Secretaria de Parcerias em Investimentos (SPI) e da Artesp. A EcoRodovias foi pioneira no modelo no estado: a Ecovias Noroeste Paulista foi a primeira concessão estadual a operar o sistema free flow.
As atuais praças de pedágio com cabines, localizadas no km 32 da Rodovia dos Imigrantes e no km 31 da Via Anchieta, serão desmobilizadas futuramente, mas não demolidas. O pedágio do SAI, considerado o mais caro do Brasil, sofre reajustes anuais.



