Presidente do BRB se reúne com Galípolo para destravar empréstimo bilionário
BRB e BC em reunião para destravar empréstimo de R$6,6 bi

O presidente do Banco de Brasília (BRB), Nelson Antônio de Souza, reuniu-se na tarde desta segunda-feira (27) com o presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo. A pauta oficial não foi revelada, mas o encontro é mais um passo na tentativa de destravar o empréstimo bilionário de socorro ao BRB, no valor de R$ 6,6 bilhões, que depende de autorização do BC para ser concretizado.

Encontro ocorre após reunião técnica com governadora

No dia 14 deste mês, a governadora do Distrito Federal, Celina Leão, já havia se reunido com Souza e Galípolo na sede do BRB. Na ocasião, o grupo não concedeu entrevistas, e o governo classificou o encontro como "reunião técnica". Até as 16h30 desta segunda, Souza e a diretora-executiva de Controles e Riscos do BRB, Ana Paula Teixeira de Sousa, permaneciam na sede do BC.

Crise do BRB tem origem em operações com Banco Master

A atual crise do BRB está ligada a negociações e operações realizadas com o Banco Master entre 2024 e 2025, que somaram R$ 30 bilhões, segundo dados do próprio banco. Em novembro de 2025, a Polícia Federal deflagrou a operação Compliance Zero, que apontou suposto esquema de fraudes financeiras bilionárias envolvendo grande parte dessas transações. Em abril deste ano, nova fase da investigação levou à prisão do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa. A PF afirma que ele teria permitido negócios com o Master sem lastro e sem seguir práticas adequadas de governança.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

O BRB estima que pelo menos R$ 8,8 bilhões dos créditos adquiridos do Master são títulos inexistentes, fraudados ou de difícil recuperação — na prática, "crédito podre" que pode se transformar em rombo no patrimônio do banco. O governo do DF afirma que consegue recuperar R$ 2,2 bilhões com outras medidas, mas precisa do empréstimo de R$ 6,6 bilhões para cobrir o restante.

Ministro da Fazenda critica operações

Na manhã desta segunda, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, declarou à Rádio Jornal, de Pernambuco: "O banco, basicamente, passou R$ 12 milhões para o Master e recebeu guardanapo, papel que não valia nada." A declaração reforça a gravidade da situação. O governo federal e o governo do DF já fecharam um acordo homologado no Supremo Tribunal Federal (STF) para viabilizar o empréstimo, e a lei que o autoriza foi sancionada em 24 de junho.

Dependência do DF e riscos sistêmicos

O governo do DF é acionista controlador do BRB e utiliza o banco para operar mais de 30 programas sociais, oferecer crédito habitacional e processar a folha de pagamento do funcionalismo distrital. Por isso, cabe ao Executivo local garantir que o banco funcione dentro das regras do sistema financeiro nacional — o que foi comprometido pelas supostas fraudes nas transações com o Master. O desfecho da reunião entre Souza e Galípolo pode determinar se o socorro será aprovado e em que condições, impactando diretamente a saúde financeira do Distrito Federal e a confiança no sistema bancário regional.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar