Os mercados financeiros globais operam em forte queda nesta terça-feira, liderados por uma liquidação generalizada de ações de tecnologia. O movimento reflete o temor de que o Federal Reserve (Fed) mantenha juros elevados por mais tempo, pressionando as avaliações do setor, e a desconfiança sobre os gastos maciços em inteligência artificial (IA).
Wall Street despenca com tecnologia
Nos Estados Unidos, os principais índices abriram em baixa: o Dow Jones caiu mais de 1%, o S&P 500 recuou 1,5% e o Nasdaq, concentrado em tecnologia, perdeu mais de 2%. As big techs lideram as perdas, com Apple, Microsoft, Nvidia e Alphabet registrando quedas expressivas. O movimento é visto como um ajuste após meses de alta impulsionada pelo entusiasmo com IA.
Segundo analistas, o mercado começa a questionar se os investimentos em IA gerarão retorno no curto prazo. “Há um ceticismo crescente sobre a monetização da IA, especialmente diante de juros altos”, afirmou um estrategista do Bank of America. A ata do Copom, divulgada hoje no Brasil, também contribui para o ambiente de aversão ao risco, com o BC sinalizando custo elevado para levar a inflação à meta em 2027.
Ibovespa acompanha tendência global
No Brasil, o Ibovespa opera em baixa, influenciado pelo exterior e pela ata do Copom. O índice recua cerca de 1%, com destaque para as ações de tecnologia e de commodities. A Petrobras e a Vale caem, enquanto o dólar sobe frente ao real, refletindo a fuga para ativos seguros. Os juros futuros avançam, com o Tesouro IPCA+ ultrapassando 8,5% ao ano.
O movimento de aversão ao risco é global. Na Europa, os índices também caem, com o DAX alemão perdendo 1,2% e o CAC 40 francês recuando 1%. Na Ásia, o Nikkei japonês fechou em baixa de 2,5%, pressionado por tecnologia.
Impacto nos investimentos
A liquidação de tecnologia levanta dúvidas sobre a sustentabilidade do rali recente. Para investidores, o cenário exige cautela. “O mercado está precificando um cenário de juros altos por mais tempo, o que reduz o apetite por risco”, explica um gestor. A recomendação é diversificar, com foco em renda fixa e ativos defensivos.
No Brasil, a ata do Copom reforçou a expectativa de que a Selic permaneça elevada, beneficiando títulos pós-fixados e indexados à inflação. O Tesouro IPCA+ com vencimento em 2035 já oferece prêmio acima de 6% ao ano, atraindo investidores.



