O governo federal prorrogou o prazo do programa Desenrola 2.0 para 31 de agosto, conforme confirmou nesta terça-feira o ministro da Fazenda, Dario Durigan. A nova data marca o fim da medida provisória (MP) que criou o programa de renegociação de dívidas bancárias para pessoas físicas. A informação foi antecipada pelo colunista do GLOBO Fabio Graner.
Originalmente, o Desenrola 2.0, lançado em maio, terminaria em 2 de agosto. A prorrogação atende a pedido dos bancos, que avaliam haver demanda adicional. Durigan afirmou que a decisão não exige novos aportes no Fundo de Garantia de Operações (FGO), que cobre eventuais calotes, e não inclui novas restrições ou alterações. “Esse prazo adicional vai ser importante, inclusive, para que as pessoas que hoje estão tendo de acessar os programas de moto, carro, para trocar a sua moto, o seu carro, possam resolver eventuais pendências previamente, que é usar o desenrolar, para depois se enquadrar nas condições para as operações de carro e moto e também poderem fazer jus a essas obrigações”, afirmou o ministro.
Meta do Desenrola 2.0
Segundo Durigan, com o mês adicional, o governo deve atingir 10 milhões de famílias beneficiadas. Até 23 de julho, foram renegociados R$ 22 bilhões em dívidas, em 3,6 milhões de operações. Após os descontos, o volume caiu para cerca de R$ 4 bilhões. O programa abrange dívidas de pessoas físicas no cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal (CDC), contratadas até 31 de janeiro de 2026 e com atraso entre 91 dias e 2 anos.
Como funciona o programa
Os participantes podem obter descontos de até 90%, taxa máxima de juros de 1,99% ao mês e prazo de até 48 meses para pagamento. O desenho prevê o uso de parte do saldo do FGTS para amortização ou quitação, mas a opção é pouco utilizada: apenas 110 mil operações, totalizando R$ 62,2 milhões.
Contexto de endividamento
O Desenrola foi recriado em meio ao alto endividamento e comprometimento de renda das famílias, que, segundo o governo, gerava riscos à economia no médio e longo prazos e impactava a popularidade presidencial. A lógica é que os bancos renegociem débitos e abram nova dívida menor, com garantia do FGO, reduzindo o risco de inadimplência e recuperando a capacidade de consumo.
Outras versões do Desenrola
O governo criou uma versão para pessoas em dia com suas dívidas, mas foi rejeitada pelos bancos privados e não decolou. Mesmo os bancos públicos não aderiram agressivamente, segundo interlocutor. Já a versão empresarial renegociou R$ 25 bilhões em 200 mil operações, a maioria via Pronampe (R$ 23,4 bilhões).



