Os investidores estrangeiros trouxeram R$ 33,8 bilhões para a B3 no primeiro semestre de 2025, mas o mês de junho registrou saída líquida de R$ 7,8 bilhões, segundo dados divulgados pela bolsa brasileira. O saldo positivo no acumulado do ano reflete o apetite por ativos domésticos, apesar da volatilidade recente.
Fluxo estrangeiro no semestre
No acumulado de janeiro a junho, o ingresso líquido de capital estrangeiro na B3 totalizou R$ 33,8 bilhões. O número indica confiança dos investidores internacionais no mercado brasileiro, mesmo com incertezas globais como a trajetória dos juros nos Estados Unidos e a desaceleração da economia chinesa.
Em contrapartida, junho apresentou saída líquida de R$ 7,8 bilhões, interrompendo uma sequência de entradas nos meses anteriores. O movimento pode estar associado à realização de lucros e ao ajuste de carteiras antes do fim do semestre.
Impacto nos ativos domésticos
O fluxo estrangeiro é um dos principais termômetros do mercado de capitais brasileiro. A entrada de recursos no semestre ajudou a impulsionar o Ibovespa, que registrou altas em diversos pregões. No entanto, a saída em junho pressionou o índice, que fechou o mês com queda.
Analistas destacam que a permanência do capital estrangeiro depende de fatores como o cenário fiscal doméstico, a evolução da reforma tributária e o comportamento das taxas de juros nos EUA. A ata do Federal Reserve e os dados de emprego americanos serão monitorados de perto.
Comparação com anos anteriores
O saldo semestral de R$ 33,8 bilhões é superior ao registrado no mesmo período de 2024, quando os estrangeiros trouxeram cerca de R$ 25 bilhões. O aumento reflete a melhora na percepção de risco do Brasil, com a queda da inflação e a redução da taxa Selic.
Em 2023, o fluxo estrangeiro no primeiro semestre foi negativo, com saída de R$ 12 bilhões, evidenciando a mudança de humor dos investidores em relação ao país.
Perspectivas para o segundo semestre
Para os próximos meses, a expectativa é de que o fluxo estrangeiro continue volátil. A proximidade das eleições presidenciais de 2026 pode gerar incertezas, mas a agenda de reformas e o controle fiscal serão determinantes.
O mercado também aguarda o avanço de privatizações e concessões, que podem atrair novos recursos. Empresas como Copasa e Copel, recém-privatizadas, estão no radar dos estrangeiros.
Segundo dados da B3, o estoque de capital estrangeiro na bolsa brasileira soma aproximadamente R$ 500 bilhões, representando cerca de 50% do volume negociado diariamente.



