As concessões de crédito no Brasil registraram alta de 0,4% em junho ante maio, somando R$ 489 bilhões, de acordo com dados divulgados pelo Banco Central (BC). O resultado foi impulsionado principalmente pelo crédito livre a pessoas físicas, que avançou 1,2% no período, atingindo R$ 175 bilhões.
Desempenho por segmentos
No crédito livre para empresas, as concessões recuaram 0,3% em junho, totalizando R$ 143 bilhões. Já o crédito direcionado (habitacional, rural, BNDES) teve alta de 0,7% sobre maio, para R$ 171 bilhões. O aumento no crédito direcionado reflete a maior procura por financiamentos imobiliários e agrícolas.
Estoque de crédito e inadimplência
O estoque total de crédito no sistema financeiro fechou junho em R$ 5,9 trilhões, crescimento de 1,3% no mês e de 14,2% em 12 meses. A taxa de inadimplência (atrasos acima de 90 dias) ficou estável em 3,8% ante maio, mas subiu 0,2 ponto percentual em relação a junho de 2025. Segundo o BC, o indicador ainda reflete o aperto nas condições financeiras das famílias.
Taxas de juros médias
A taxa média de juros do crédito livre caiu 0,1 ponto percentual em junho, para 44,2% ao ano. No crédito para pessoas físicas, a taxa recuou 0,2 p.p., a 52,1% a.a., enquanto para empresas subiu 0,1 p.p., a 36,4% a.a. O spread bancário (diferença entre taxa de captação e de aplicação) também caiu 0,1 p.p., para 28,5 p.p.
“O crescimento das concessões em junho mostra uma ligeira reação da demanda por crédito, ainda que em ritmo moderado”, destacou o chefe do Departamento de Estatísticas do BC, em comunicado. A expectativa da autoridade monetária é de que o crédito continue expandindo nos próximos meses, mas sem pressões inflacionárias relevantes.
Perspectivas
Para o segundo semestre, analistas projetam aceleração das concessões, impulsionada pela queda da Selic e pela retomada da economia. O BC prevê crescimento do estoque de crédito entre 12% e 14% em 2026, contra 13,8% registrados no fim de 2025.



