O agronegócio brasileiro enfrenta um desafio duplo: aumentar a produtividade para alimentar uma população global crescente e, ao mesmo tempo, reduzir o impacto ambiental. Um estudo da Embrapa, divulgado em julho de 2026, aponta que a adoção de tecnologias como agricultura de precisão e defensivos biológicos já reduziu em 30% o uso de produtos químicos em lavouras de soja e milho nas regiões Centro-Oeste e Sul do país.
Agricultura de precisão como aliada
A agricultura de precisão utiliza sensores, drones e imagens de satélite para aplicar insumos de forma localizada. Segundo o pesquisador da Embrapa, João Carlos Silva, 'a tecnologia permite que o produtor aplique defensivos apenas onde há realmente necessidade, com economia de até 40% em algumas propriedades'. A técnica também reduz a contaminação do solo e da água.
Dados do estudo indicam que, nas safras 2024/2025 e 2025/2026, a área cultivada com soja que usou algum tipo de agricultura de precisão cresceu 25%, passando de 12 milhões para 15 milhões de hectares. No milho, o aumento foi de 18%.
Defensivos biológicos ganham espaço
Outra frente é o uso de defensivos biológicos, como fungicidas e inseticidas à base de microrganismos. Eles são menos tóxicos e mais específicos, controlando pragas sem afetar insetos benéficos. A Associação Brasileira de Bioinsumos (ABB) registrou um crescimento de 35% nas vendas desses produtos em 2025 comparado a 2024.
'O produtor percebeu que o controle biológico é eficaz e mais barato a longo prazo. Hoje, 20% das lavouras de soja no Brasil usam pelo menos um bioinsumo', afirma Maria Fernanda Oliveira, presidente da ABB. Ela destaca que a tendência é que esse percentual dobre até 2030.
Desafios e perspectivas
Apesar dos avanços, o custo inicial da tecnologia ainda é uma barreira para pequenos agricultores. O governo federal lançou em 2026 o programa 'Agro 4.0', que oferece linhas de crédito com juros reduzidos para aquisição de equipamentos de precisão. Até junho, mais de 5 mil contratos foram firmados.
Outro entrave é a falta de mão de obra qualificada. 'Precisamos de técnicos capacitados para operar drones e interpretar dados. As universidades e o Senar estão ampliando a oferta de cursos na área', explica Silva. Estima-se que o setor precise de 50 mil novos profissionais nos próximos cinco anos.
O estudo da Embrapa projeta que, se mantido o ritmo atual de adoção tecnológica, o Brasil pode reduzir em 50% o uso de defensivos químicos na agricultura até 2035, sem perda de produtividade. Isso colocaria o país na vanguarda da sustentabilidade agrícola global.



