Setor florestal brasileiro precisa de R$ 15 bilhões até 2030
Um estudo recém-divulgado pela Indústria Brasileira de Árvores (Ibá) aponta que o setor florestal brasileiro necessita de investimentos da ordem de R$ 15 bilhões nos próximos cinco anos para manter sua competitividade no mercado global. O montante é destinado a modernização de parques industriais, adoção de novas tecnologias e expansão de práticas sustentáveis.
Segundo o levantamento, realizado em parceria com a consultoria McKinsey, a falta de atualização tecnológica e de infraestrutura logística coloca o Brasil em risco de perder espaço para concorrentes como Estados Unidos, Canadá e países escandinavos. O estudo destaca que a produtividade média das florestas plantadas brasileiras cresceu apenas 1% ao ano na última década, contra 3% nos principais concorrentes.
Investimentos em tecnologia e sustentabilidade são prioridades
O relatório aponta que os recursos devem ser direcionados prioritariamente para três áreas: digitalização de processos, maquinário de colheita de última geração e certificações ambientais. A digitalização pode reduzir custos operacionais em até 20%, enquanto a adoção de equipamentos modernos aumenta a eficiência em 15%.
“Precisamos urgentemente de um programa de incentivos fiscais e linhas de crédito específicas para que as empresas do setor possam se modernizar. Caso contrário, perderemos competitividade e mercado”, afirmou João Silva, presidente da Ibá, durante a apresentação do estudo na última quinta-feira.
Impacto na economia e geração de empregos
O setor florestal brasileiro é responsável por cerca de 3,7 milhões de empregos diretos e indiretos e responde por 1,2% do PIB nacional. A injeção de R$ 15 bilhões em investimentos, segundo o estudo, poderia gerar até 200 mil novos postos de trabalho nos próximos cinco anos, principalmente nas regiões Sul e Sudeste.
Além disso, as exportações do setor somaram US$ 12 bilhões em 2025, com destaque para celulose, papel e produtos de madeira. A estimativa é que, com os investimentos adequados, esse valor possa crescer 30% até 2030.
Desafios logísticos e energéticos
Outro ponto destacado pelo estudo é a necessidade de melhorias na infraestrutura logística, especialmente em rodovias e ferrovias que escoam a produção para os portos. O Brasil perde anualmente cerca de R$ 2 bilhões com ineficiências logísticas no setor florestal.
A matriz energética das fábricas também é um desafio. Muitas indústrias ainda dependem de combustíveis fósseis, enquanto a tendência global é a adoção de biomassa e outras fontes renováveis. A transição energética no setor demandaria cerca de R$ 3 bilhões dos R$ 15 bilhões totais.
Propostas do governo e próximo passos
O Ministério da Agricultura e Pecuária já sinalizou a criação de uma linha de crédito especial no BNDES para o setor florestal, com juros subsidiados e prazos estendidos. A expectativa é que o anúncio oficial ocorra até o final do ano.
“O governo está atento às necessidades do setor. Vamos trabalhar em conjunto com a iniciativa privada para garantir que esses investimentos saiam do papel”, declarou a ministra da Agricultura, Maria Oliveira, em nota.
O estudo completo da Ibá está disponível no site da entidade e servirá de base para a elaboração do Plano Nacional de Desenvolvimento Florestal, que será lançado em 2027.



