Renan Santos corteja agronegócio em viagem pelo Centro-Oeste
Renan Santos corteja agronegócio em viagem pelo Centro-Oeste

Renan Santos, fundador do Movimento Brasil Livre (MBL) e pré-candidato à Presidência pelo partido Missão, realizou uma série de compromissos na região Centro-Oeste na última semana com o objetivo de conquistar o apoio do setor do agronegócio, um dos mais disputados entre os presidenciáveis de direita. Durante a viagem, apresentou suas propostas para o segmento e recebeu manifestações de apoio de ex-ministros da Agricultura e de lideranças políticas locais.

Apoio de ex-ministros da Agricultura

Blairo Maggi, que comandou o Ministério da Agricultura durante o governo Michel Temer (MDB) e foi governador de Mato Grosso por dois mandatos consecutivos (2003-2010), publicou em suas redes sociais uma foto de um encontro reservado com Renan. Na postagem, afirmou que o candidato representa uma “boa opção” e “uma alternativa em meio à polarização”. Maggi, um dos maiores empresários do agronegócio brasileiro, declarou voto em Jair Bolsonaro no segundo turno das eleições de 2018.

Neri Geller, que foi ministro da Agricultura no governo Dilma Rousseff (PT) e secretário de Política Agrícola no atual governo Lula, encontrou Renan durante o Global Agribusiness Festival, realizado em Sorriso (MT). Geller também usou as redes sociais para elogiar o pré-candidato, dizendo que ele representa “renovação e coragem na política”. Geller foi um dos principais interlocutores da campanha de Lula com o agronegócio e, após a vitória do petista, assumiu a Secretaria de Política Agrícola como “cota pessoal” de Lula, mas foi demitido depois que o leilão do arroz foi anulado por suspeitas de irregularidades.

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Propostas apresentadas no festival

O Global Agribusiness Festival em Sorriso reuniu lideranças do agronegócio de todo o país e serviu de palco para Renan apresentar sua plataforma para o setor. Entre as propostas defendidas estão o endurecimento da legislação sobre esbulho possessório e a revisão da Reforma Agrária. O candidato também propõe uma auditoria técnica permanente dos livros didáticos e materiais do Ministério da Educação (MEC) para, segundo sua assessoria, garantir a “representação factual do setor” e combater o que chama de “narrativa antiagro nas escolas”.

Renan dividiu um dos painéis do evento com o ex-governador de Mato Grosso e pré-candidato ao Senado Mauro Mendes (União). Durante sua fala, Mendes elogiou os vídeos publicados pelo candidato nas redes sociais e afirmou que ele contribuirá para qualificar o debate político. “Tenho assistido muito aos seus vídeos e recomendo que alguns assistam porque nós precisamos debater com profundidade os grandes e graves problemas desse País. Não dá para entrar em uma eleição simplesmente acreditando que polo A, polo B vai resolver os grandes problemas do Brasil. Eu tenho certeza que você vai contribuir com esse debate político e vai engrandecer a decisão que cada brasileiro terá que tomar no dia 4 de outubro”, afirmou Mendes, que ainda não declarou oficialmente quem apoiará na eleição presidencial.

Disputa na direita pelo apoio do agro

O atual governador de Mato Grosso, Otaviano Pivetta (Republicanos), também participou do festival e, em entrevista coletiva no dia seguinte, disse que Renan é “um brasileiro articulado e muito preparado do ponto de vista de conhecimentos gerais e também de conhecimento político no Brasil”. Apesar do elogio, ressaltou que o Republicanos ainda não definiu qual candidatura apoiará na disputa presidencial.

As investidas de Renan junto ao agronegócio ocorrem em meio à disputa na direita pelo apoio do setor. O candidato do PSD ao Planalto, Ronaldo Caiado, tem uma ligação histórica com o agro – ele foi presidente da União Democrática Ruralista (UDR). Já o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se coloca como um defensor dos interesses do segmento.

As agendas de Renan pelo Centro-Oeste incluíram ainda compromissos em Goiás, onde se reuniu com integrantes do Sindicato Rural de Rio Verde, e no Mato Grosso do Sul. A viagem reforça a estratégia do pré-candidato de se posicionar como uma terceira via conservadora, capaz de atrair tanto setores do agro quanto eleitores descontentes com a polarização entre Lula e Bolsonaro.

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