O Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Acre (Idaf) confirmou um caso de raiva em bovino em uma propriedade rural no município de Tarauacá, no interior do Acre. O diagnóstico laboratorial foi divulgado na terça-feira (7), e o animal infectado morreu em decorrência da doença, conforme informou o órgão ao g1.
Área de foco e vacinação obrigatória
Com a confirmação, a propriedade e seu entorno passaram a ser considerados área de foco. Todos os produtores em um raio de até 12 quilômetros devem vacinar obrigatoriamente seus animais contra a raiva. "Abrimos um foco na região desde essa propriedade até 12 quilômetros de raio, que são considerados área de foco e perifoco", afirmou o chefe do Idaf em Tarauacá, Vander Melo.
Este é o primeiro caso registrado no estado em 2026. A raiva em bovinos é transmitida pela mordida de morcegos hematófagos, podendo levar o animal à morte. Quando a doença é identificada, é necessário aguardar a morte do bovino para coletar material para análise laboratorial.
Sintomas e ações de vigilância
Segundo o veterinário, o animal apresentava sintomas neurológicos quando técnicos do Idaf coletaram amostras de tecido cerebral para investigação. Após a confirmação, equipes iniciaram as ações de vigilância na quinta-feira (9). "Já fomos em outra propriedade dentro do perifoco para analisar animais com os mesmos sintomas e realizar as notificações para vacinação. Até o momento, não há nova confirmação", disse Melo.
A orientação do Idaf é que os produtores não manuseiem nem tenham contato direto com animais suspeitos de raiva. Também não devem tentar tratar, abater ou remover a carcaça, e precisam comunicar o caso ao órgão, já que a doença pode ser transmitida aos seres humanos.
Notificação à saúde humana
O caso foi comunicado à Secretaria de Saúde do Acre (Sesacre), que ficará responsável por avaliar as pessoas que tiveram contato com o animal infectado. "A gente fez a notificação também à Secretaria de Saúde porque ela vai entrar em contato com esses produtores para realizar a anamnese e verificar quem fez o manejo do animal", explicou Melo.
Na propriedade onde o foco foi confirmado, os moradores que tiveram contato com o bovino devem passar por avaliação médica, vacinação antirrábica e exames sorológicos. Cães e gatos do local também serão vacinados como medida preventiva.
Orientações aos produtores
O Idaf reforça que os produtores que realizarem a vacinação guardem a nota fiscal e apresentem ao órgão para obter o atestado de vacinação contra a raiva. "São muitas propriedades, então estamos tentando agilizar da forma mais coerente possível para controlar o foco", complementou Melo.
Outros casos e notificações em 2026
A coordenadora do Programa Estadual de Controle da Raiva dos Herbívoros do Idaf, Maria do Carmo Portela, informou que, somente neste ano, o órgão recebeu cinco notificações de animais com sintomas neurológicos em diferentes municípios acreanos. "No ano de 2026, tivemos cinco notificações de animais com problemas neurológicos. Os produtores notificaram o Idaf, o veterinário foi até o local, coletou o cérebro dos animais e foi feito o exame", explicou.
Duas amostras tiveram resultado positivo para raiva e outras ocorrências seguem em investigação. "Em julho, nós estamos com mais municípios suspeitos, como Assis Brasil, Cruzeiro do Sul e Feijó. Estamos trabalhando para que a gente tenha o resultado o mais breve possível", disse Portela.
No ano passado, um caso confirmado ocorreu em Mâncio Lima, em julho, e outro em Cruzeiro do Sul, no início de agosto de 2025, ambos no interior do Acre.



