Índia se consolida como novo mercado para o agro brasileiro
Índia: novo mercado para o agro brasileiro

A Índia consolidou-se como um dos mercados mais promissores para o agronegócio brasileiro em 2026, com um aumento expressivo de 35% nas exportações de soja e carne bovina em relação ao ano anterior, segundo dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). O crescimento reflete a demanda crescente da população indiana por proteínas e óleos vegetais, impulsionada pelo aumento da renda e urbanização.

Expansão das exportações agrícolas

Em 2026, o Brasil exportou para a Índia cerca de 8 milhões de toneladas de soja, um recorde histórico, além de 500 mil toneladas de carne bovina. O volume total de negócios ultrapassou os US$ 5 bilhões, tornando a Índia o terceiro maior destino das exportações agropecuárias brasileiras, atrás apenas da China e da União Europeia.

"A Índia representa uma oportunidade estratégica para diversificarmos nossos mercados, reduzindo a dependência da China", afirmou o presidente da Associação Brasileira de Agronegócio (ABAG), Marcos Fava Neves, em entrevista exclusiva à Revista Agronegócio. "As exigências sanitárias e fitossanitárias indianas são rigorosas, mas o Brasil demonstrou capacidade de atendê-las com qualidade."

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Parcerias e logística

Para facilitar o comércio, governos brasileiro e indiano firmaram acordos de cooperação técnica em sanidade animal e vegetal, além de investimentos em infraestrutura portuária no Brasil. O Porto de Santos, por exemplo, aumentou sua capacidade de exportação para a Ásia em 20% com a modernização dos terminais de grãos.

Além da soja e carne, outros produtos ganharam destaque, como algodão, café e açúcar. As exportações de café brasileiro para a Índia cresceram 40% em 2026, impulsionadas pelo consumo crescente de cafeterias especializadas em cidades como Mumbai e Nova Délhi.

Desafios e perspectivas

Apesar do otimismo, especialistas apontam desafios, como a burocracia alfandegária indiana e a necessidade de maior investimento em logística interna no Brasil. "Temos que melhorar a conectividade entre as regiões produtoras e os portos, além de reduzir custos de frete", destacou a economista-chefe da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Cristina Lemos.

A expectativa é que as exportações para a Índia continuem crescendo entre 10% e 15% ao ano até 2030, consolidando o país asiático como um parceiro estratégico para o agro brasileiro. A diversificação de mercados é vista como fundamental para a sustentabilidade do setor, especialmente em um cenário de volatilidade global.

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