Milho: etanol impulsiona expansão para novas regiões
Milho: etanol impulsiona expansão agrícola

O avanço do etanol de milho no Brasil está redesenhando o mapa agrícola, com a cultura do milho se expandindo para novas fronteiras, especialmente no Centro-Oeste e na região do Matopiba. A demanda crescente por biocombustíveis tem estimulado produtores a investir em áreas antes ocupadas por pastagens degradadas ou pela soja, em um movimento que combina inovação tecnológica e ganhos de produtividade.

Avanço no Centro-Oeste

Estados como Mato Grosso, Goiás e Mato Grosso do Sul lideram a expansão da área plantada de milho destinada à produção de etanol. De acordo com dados da União Nacional do Etanol de Milho (UNEM), a área destinada ao milho para etanol na safra 2025/26 cresceu 15% em relação ao ciclo anterior, alcançando 2,5 milhões de hectares. "Estamos testemunhando uma mudança estrutural na agricultura brasileira", afirma Pedro Rodrigues, diretor-executivo da UNEM. "O etanol de milho deixou de ser um subproduto para se tornar um motor da expansão agrícola."

Tecnologia e produtividade

O aumento da produtividade tem sido fundamental para viabilizar a expansão. O uso de variedades geneticamente modificadas, sistemas de irrigação por pivô central e práticas de manejo integrado elevaram a produtividade média para 8 toneladas por hectare nas áreas de sequeiro e até 12 toneladas nas irrigadas. "A tecnologia permitiu que o milho ocupasse regiões antes consideradas marginais, como o cerrado do Matopiba", explica Ana Costa, pesquisadora da Embrapa. "A combinação de clima favorável e inovação torna essas áreas competitivas."

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Impacto no mercado de grãos

A expansão do milho para etanol também afeta o mercado de grãos. Com mais áreas dedicadas ao biocombustível, a oferta de milho para ração animal e consumo humano tem se mantido estável graças ao ganho de produtividade. No entanto, especialistas alertam para a concorrência por terras. "O etanol de milho não deve competir com a produção de alimentos, mas sim ocupar áreas de pastagem degradada", ressalta Rodrigues. A UNEM estima que, nos próximos cinco anos, a produção de etanol de milho pode atingir 10 bilhões de litros, o que exigirá cerca de 4 milhões de hectares adicionais.

Desafios logísticos

A expansão para novas fronteiras impõe desafios logísticos. A falta de armazéns e a precariedade de estradas em regiões como o Matopiba elevam os custos de transporte. "Precisamos de investimentos em infraestrutura para escoar a produção", afirma João Silva, presidente da Associação dos Produtores de Milho do Brasil. "Sem isso, o custo logístico pode inviabilizar a competitividade do etanol de milho." Soluções como ferrovias e terminais multimodais estão sendo discutidas com o governo federal. "O potencial é enorme, mas a logística é o gargalo", conclui Silva.

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