Uma juíza federal da Califórnia suspendeu a compra da Warner Bros. Discovery pela Paramount Skydance, em uma decisão que representa um revés significativo para o acordo bilionário. A magistrada Aracelli Martínez-Olguín, do Distrito Central da Califórnia, concedeu uma liminar que interrompe a fusão, atendendo a uma ação judicial movida por 12 estados americanos, incluindo a Califórnia.
Decisão judicial cita riscos à concorrência
Em sua decisão, a juíza Martínez-Olguín afirmou que os estados apresentaram evidências sólidas de que a operação enfraqueceria substancialmente a concorrência no mercado de entretenimento. “A fusão proposta provavelmente causará danos irreversíveis à concorrência, resultando em preços mais altos e menor qualidade de conteúdo para os consumidores”, escreveu a magistrada.
A ação foi liderada pela procuradora-geral da Califórnia, Rob Bonta, que argumentou que a combinação das duas gigantes do entretenimento criaria um conglomerado com poder excessivo de mercado. Segundo Bonta, a fusão reduziria a diversidade de vozes e opções para o público.
Detalhes do acordo e implicações
A Paramount Skydance, controlada pelo bilionário David Ellison, concordou em adquirir a Warner Bros. Discovery por aproximadamente US$ 28 bilhões em maio de 2026. O negócio incluiria a fusão de estúdios de cinema, redes de TV a cabo e serviços de streaming, como Max e Paramount+.
Especialistas apontam que a fusão criaria uma empresa com mais de 100 milhões de assinantes de streaming nos EUA, rivalizando diretamente com Netflix e Disney+. No entanto, a decisão judicial coloca em dúvida o futuro do acordo.
Reações e próximos passos
A Paramount Skydance e a Warner Bros. Discovery ainda não comentaram oficialmente a decisão. Fontes próximas às empresas indicam que elas devem recorrer da liminar, buscando uma revisão em tribunal superior.
A audiência para discutir a continuidade da liminar está marcada para 15 de agosto de 2026. Enquanto isso, as ações da Warner Bros. Discovery caíram 4% no after-market, refletindo a incerteza do mercado.
A decisão é vista como uma vitória para os defensores da concorrência, que temem a consolidação excessiva na indústria do entretenimento. “Este é um passo importante para proteger os consumidores e garantir que o mercado permaneça competitivo”, declarou a procuradora-geral Bonta.



