Indústria farmacêutica de alta tecnologia ganha espaço no Polo Industrial de Manaus
Indústria farmacêutica de alta tecnologia avança em Manaus

Setor farmacêutico ganha protagonismo no Polo Industrial de Manaus

Durante décadas, o Polo Industrial de Manaus (PIM) construiu sua identidade apoiado em segmentos como duas rodas, eletroeletrônicos, bens de informática e linha branca. Essas cadeias produtivas ajudaram a consolidar a Zona Franca de Manaus (ZFM) como um dos principais polos industriais do país. No entanto, uma nova paisagem começa a se formar na cidade: a indústria farmacêutica de alta tecnologia.

O setor farmacêutico, antes visto como complementar dentro do PIM, passa a reunir sinais consistentes de protagonismo. O que chama atenção é a convergência de fatores estratégicos: expansão da capacidade produtiva, fortalecimento das atividades de pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I), incorporação de tecnologias industriais de alto desempenho, processos automatizados e atração de empresas intensivas em conhecimento e mão de obra qualificada.

Suframa intensifica agenda com empresas do setor

Nos últimos meses, a Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) vem intensificando sua agenda com empresas farmacêuticas, acompanhando projetos de expansão, implantação de novas unidades e iniciativas de PD&I. Esse posicionamento institucional sinaliza que a autarquia enxerga o segmento como oportunidade para ampliar a diversificação da matriz industrial. A agenda inclui reuniões com a Novamed, do Grupo EMS, e o acompanhamento da implantação da Hypera Pharma em Manaus.

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Segundo a Suframa, essa estratégia contribui para fortalecer a percepção de segurança institucional junto a empresas que avaliam instalar ou ampliar operações na região.

EMS investe R$ 1 bilhão em expansão

A Novamed, instalada em Manaus desde 2014, responde por aproximadamente 80% da produção de medicamentos sólidos do Grupo EMS. Com capacidade instalada de 1,5 bilhão de comprimidos por mês, é uma das maiores e mais modernas fábricas de medicamentos sólidos do planeta. Recentemente, o grupo anunciou um novo ciclo de expansão estimado em R$ 1 bilhão, ampliando sua estrutura industrial e fortalecendo as atividades de PD&I.

A unidade opera com processos totalmente digitais (paperless), elevado nível de automação e sistemas robotizados, características que levaram Manaus a receber executivos de algumas das maiores indústrias farmacêuticas do mundo interessados em conhecer o modelo operacional.

Hypera Pharma chega a Manaus

A implantação da Hypera Pharma reforça essa percepção. Trata-se de uma das maiores empresas farmacêuticas do país, em um segmento de elevada intensidade tecnológica, inovação, rigor regulatório e geração de empregos qualificados. Para a Suframa, essa chegada representa mais um passo na estratégia de diversificação da matriz industrial da Zona Franca.

Potencial para formação de cluster farmacêutico

Esse conjunto de movimentos pode produzir efeitos além da produção de medicamentos. A consolidação de novas empresas, associada ao fortalecimento das atividades de PD&I, cria oportunidades para ampliar a interação entre indústria, universidades, institutos de pesquisa e fornecedores especializados. Isso estabelece bases para a formação futura de um ecossistema ou cluster farmacêutico, capaz de agregar mais valor à economia regional.

Caso esse movimento mantenha sua trajetória, Manaus poderá consolidar não apenas uma nova atividade industrial, mas um ambiente favorável à integração entre manufatura farmacêutica, pesquisa científica, inovação tecnológica e formação de profissionais especializados.

Cenário global impulsiona o setor

A estratégia da Suframa está alinhada a uma transformação global. Segundo o IQVIA Institute, os gastos mundiais com medicamentos deverão ultrapassar US$ 2,6 trilhões até 2030, com crescimento anual entre 5% e 8%, impulsionado pelo desenvolvimento de novos medicamentos, avanços tecnológicos e ampliação do acesso à saúde.

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Destaque para a revolução dos medicamentos baseados em GLP-1, usados no tratamento da obesidade e diabetes. A expectativa é que esse mercado movimente mais de US$ 100 bilhões por ano até o início da próxima década, com medicamentos como Wegovy, Ozempic e Mounjaro. Soma-se a incorporação crescente da Inteligência Artificial na descoberta de moléculas, aceleração de pesquisas clínicas, vencimento de patentes, expansão de biossimilares e envelhecimento populacional.

Nova vocação industrial na Amazônia

Apesar de ainda não ser um polo consolidado, o setor farmacêutico deixou de ser apenas uma aposta. Os investimentos em curso e a aproximação entre indústria, inovação e pesquisa indicam uma nova vocação no parque industrial. Se durante décadas a identidade do PIM foi construída sobre motocicletas, televisores e eletrodomésticos, talvez estejamos assistindo ao surgimento de um novo capítulo: a inovação em saúde, pesquisa científica e indústria farmacêutica integrando a paisagem industrial da Amazônia.