A importação de aço no Brasil registrou queda de 17,6% no primeiro semestre de 2024, atingindo 2,9 milhões de toneladas, de acordo com dados divulgados pelo instituto Aço Brasil. O volume é inferior ao registrado no mesmo período do ano anterior, quando foram importadas 3,52 milhões de toneladas.
Contexto do mercado siderúrgico
O setor siderúrgico brasileiro vinha enfrentando pressão crescente devido aos altos volumes de importação de aço, que ameaçavam a competitividade da produção doméstica. A redução observada neste semestre é vista como um alívio para as siderúrgicas nacionais, que há meses pleiteiam medidas de proteção contra o aço importado, especialmente de países como China e Rússia.
Segundo o presidente do Instituto Aço Brasil, Marco Polo de Mello Lopes, a queda das importações é resultado de ações do governo federal e do setor privado. "Estamos vendo os primeiros efeitos das medidas de defesa comercial e do esforço da indústria para ampliar a competitividade. A redução de 17,6% demonstra que o caminho adotado está no rumo certo", afirmou.
Impacto nas siderúrgicas nacionais
A diminuição das importações beneficia diretamente empresas como Gerdau, Usiminas e CSN, que vinham perdendo market share para o aço importado. Com a redução da concorrência externa, as siderúrgicas brasileiras podem aumentar sua produção e melhorar margens. No entanto, especialistas alertam que a queda ainda é insuficiente para reverter completamente o quadro de excesso de oferta global.
Dados do setor indicam que, apesar da retração no semestre, as importações de aço ainda representam cerca de 20% do consumo aparente do Brasil. A meta do governo é reduzir essa participação para níveis históricos, próximos a 10%.
Medidas governamentais
O governo brasileiro adotou uma série de medidas para conter a entrada de aço importado, incluindo a elevação de tarifas de importação para alguns produtos e a abertura de investigações antidumping contra a China. Além disso, o Ministério da Economia intensificou a fiscalização de fraudes comerciais, como subfaturamento e falsificação de origens.
O secretário de Comércio Exterior, Lucas Ferraz, destacou que a redução das importações é um sinal positivo. "Estamos monitorando de perto o fluxo de aço importado e atuando para garantir que as regras de comércio sejam cumpridas. A queda de 17,6% mostra que nossas ações estão surtindo efeito", declarou.
Perspectivas para o segundo semestre
Para o segundo semestre de 2024, a expectativa do setor é de que as importações continuem em trajetória de queda, impulsionadas pela manutenção das medidas protetivas e pela desaceleração da economia global, que reduz a demanda por aço. Contudo, a volatilidade cambial e a política industrial de países asiáticos podem influenciar o fluxo de importações.
A Aço Brasil projeta que, se mantido o ritmo atual, o total importado em 2024 fique entre 5,5 e 6 milhões de toneladas, abaixo dos 7 milhões registrados em 2023. A entidade reforça a necessidade de políticas permanentes de defesa da indústria nacional.



