Fruticultura brasileira entra na era do carbono com créditos e sustentabilidade
Fruticultura brasileira entra na era do carbono

Sustentabilidade vira novo motor econômico

A fruticultura brasileira está passando por uma transformação silenciosa, mas profunda. Produtores de uva, manga, maçã e outras frutas estão adotando práticas que não apenas reduzem a emissão de gases de efeito estufa, mas também geram créditos de carbono comercializáveis. O movimento, impulsionado por exigências de mercados internacionais e pela busca por maior rentabilidade, coloca o Brasil na vanguarda de uma agricultura de baixo carbono.

Segundo especialistas do setor, a mudança começou há cerca de cinco anos, mas ganhou força com a regulamentação do mercado de carbono no país. A fruticultura, por ser uma atividade perene e com grande potencial de sequestro de carbono no solo e na biomassa, tornou-se uma das principais candidatas a gerar créditos de alta qualidade.

Práticas que geram créditos

Entre as técnicas adotadas estão o plantio direto na palha, a integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) em pomares, o uso de bioinsumos e a compostagem de resíduos. Essas práticas aumentam o teor de matéria orgânica no solo, capturando carbono da atmosfera. Além disso, a substituição de fertilizantes nitrogenados por alternativas biológicas reduz as emissões de óxido nitroso, um potente gás estufa.

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Produtores de uva no Vale do São Francisco, por exemplo, já certificam suas áreas e vendem créditos para empresas europeias. Segundo a Associação Brasileira dos Produtores de Frutas (ABRAFRUTAS), a expectativa é que, em cinco anos, 30% da área cultivada com frutas no Brasil esteja inserida em programas de carbono.

Impacto na renda do produtor

Além do benefício ambiental, a venda de créditos de carbono representa uma nova fonte de receita. Em algumas propriedades, o valor obtido com os créditos já equivale a 10% da receita total. Isso é especialmente relevante para pequenos e médios produtores, que enfrentam margens apertadas.

O mercado de carbono também funciona como um selo de qualidade. Grandes redes varejistas da Europa e dos Estados Unidos passaram a exigir certificações de neutralidade de carbono para frutas importadas. Quem não se adequar corre o risco de perder mercados.

Desafios e perspectivas

Apesar do otimismo, ainda há entraves. A falta de padronização nas metodologias de cálculo e a burocracia para certificação são os principais gargalos. Além disso, muitos produtores desconhecem o potencial financeiro dos créditos de carbono. Para superar esses desafios, o governo federal lançou, em parceria com a Embrapa, um programa de capacitação e assistência técnica voltado para a fruticultura.

Com a crescente demanda por alimentos sustentáveis, a fruticultura brasileira tem tudo para se consolidar como referência global em produção de baixo carbono. O caminho já está sendo pavimentado, e os primeiros resultados mostram que vale a pena investir em uma agricultura mais limpa e rentável.

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