O financiamento sustentável no agronegócio brasileiro registrou um avanço significativo em 2026, com um aumento de 35% na concessão de crédito rural atrelado a critérios ambientais, sociais e de governança (ESG), segundo dados divulgados pelo Ministério da Agricultura. O volume total alcançou R$ 45,2 bilhões nos primeiros seis meses do ano, ante R$ 33,5 bilhões no mesmo período de 2025.
Crescimento impulsionado por regulação e mercado externo
O crescimento é atribuído, em grande parte, à regulamentação do Banco Central que, em janeiro, passou a exigir que os bancos incluam métricas de sustentabilidade em suas análises de risco para operações de crédito rural. Além disso, a demanda internacional por commodities produzidas de forma sustentável tem pressionado os produtores a se adequarem. 'O mercado europeu, por exemplo, já não aceita mais soja de áreas desmatadas ilegalmente. Isso força a busca por linhas de financiamento que incentivem boas práticas', afirmou a economista-chefe da Associação Brasileira do Agronegócio, Maria Silva.
Principais modalidades de crédito verde
Entre as modalidades que mais se destacaram estão os títulos verdes (green bonds) e as linhas do Plano Safra com desconto para projetos de baixo carbono. O Banco do Brasil, maior financiador do setor, reportou que 40% da sua carteira de crédito rural já possui algum critério ESG. 'A tendência é irreversível. O produtor que não se adaptar perderá competitividade', destacou o diretor de agronegócios da instituição, João Pereira.
Impacto na rentabilidade e na produção
Estudo da Embrapa indica que propriedades que adotaram práticas sustentáveis, como integração lavoura-pecuária-floresta e plantio direto, tiveram um aumento médio de produtividade de 12% nos últimos três anos. Além disso, a rentabilidade foi 8% superior, em comparação com métodos convencionais. 'O crédito sustentável não é apenas uma exigência ambiental, é um bom negócio', completou Silva.
Desafios e perspectivas
Apesar do avanço, desafios persistem. Apenas 15% dos pequenos produtores têm acesso a essas linhas, segundo o Ministério da Agricultura. A falta de assistência técnica e a burocracia ainda são barreiras. O governo lançou em julho um programa de capacitação para facilitar o acesso ao crédito verde para agricultores familiares. A expectativa é que, até 2030, 70% do crédito rural no país seja vinculado a critérios de sustentabilidade.



