As exportações de carne de frango do Brasil, maior exportador global do produto, podem alcançar um recorde de até 5,875 milhões de toneladas em 2026, uma alta de até 10,3% sobre 2025, apesar das incertezas quanto aos embarques para a União Europeia e do conflito no Oriente Médio. A estimativa foi divulgada nesta terça-feira pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).
Produção e consumo interno
A produção brasileira de carne de frango deverá crescer até 5,6%, situando-se entre 16 milhões e 16,15 milhões de toneladas. O mercado interno enfrenta desafios relacionados ao endividamento das famílias e ao crescimento das apostas online, que reduzem os recursos disponíveis para a alimentação da população mais carente. Apesar disso, o consumo per capita de carne de frango deverá aumentar para até 48,1 kg em 2026, ante 46,7 kg em 2025, segundo dados da ABPA, entidade que representa companhias como MBRF e Seara, da JBS.
Possível embargo europeu
Ricardo Santin, presidente da ABPA, afirmou que, mesmo que a União Europeia deixe de comprar carne de frango brasileira a partir de 3 de setembro — enquanto o Brasil negocia garantias de que não utiliza antimicrobianos nas exportações para os europeus —, a situação seria contornável com o redirecionamento dos embarques. "Já permanecemos no ano passado quatro meses sem a Europa por conta da gripe aviária, e fechamos com exportações positivas; o Brasil tem como redirecionar", disse Santin a jornalistas.
Ele ponderou que o Brasil vende mais peito de frango — produto de maior valor — para a Europa, o que poderia causar alguma perda de receita. No entanto, destacou que a UE responde por uma fatia menor dos embarques nacionais — menos de 5% em 2025 — em comparação com o Oriente Médio, que importou quase 30% do total no ano passado. "O difícil seria se o Oriente Médio fechasse", comentou, lembrando que, apesar da guerra no Irã, algumas rotas de transporte, como o Canal de Suez, estão sendo mantidas.
Segregação da produção sem antimicrobianos
Santin acrescentou que o Brasil "de fato segrega" a produção sem os antimicrobianos exigidos pelos europeus, enquanto o governo trabalha para garantir "mais uma camada de segregação". Ele disse achar "possível" que as exportações para a UE continuem a partir de 3 de setembro, caso os europeus decidam com base nas informações iniciais prestadas pelos brasileiros, "e não no relatório final". O setor está acionando importadores europeus para atuarem junto aos governos, lembrando que a oferta brasileira pode ser importante em um momento em que países da UE lidam com incêndios florestais e casos de gripe aviária.
Recordes no primeiro semestre
As exportações brasileiras de carne de frango encerraram o primeiro semestre com recordes em receita e volumes, impulsionadas pela demanda de países como China, Japão e Emirados Árabes Unidos. Santin também citou a demanda europeia, assim como alguma antecipação de importadores diante da ameaça de embargo a partir de setembro.
Projeções para 2027
Para 2027, a ABPA prevê que as exportações de carne de frango avancem para até 6,05 milhões de toneladas, um aumento de até 3,0% sobre a projeção de 2026, enquanto a produção deverá atingir até 16,6 milhões de toneladas, crescimento de até 2,8% na mesma comparação.
Carne suína
No setor de carne suína do Brasil, terceiro maior exportador global atrás de Estados Unidos e União Europeia, a ABPA estima que as exportações brasileiras alcancem até 1,6 milhão de toneladas em 2026, um avanço de até 5,9% ante 2025. Segundo Santin, apesar da queda nas exportações para a China este ano, o Brasil tem avançado em outros mercados, enquanto os embarques dos concorrentes europeus estão caindo e os norte-americanos estão ampliando vendas, tendo os chineses como grandes importadores.
O executivo lembrou que a produção da China está "bastante elevada", mas o país não deixará de comprar miúdos, pois consome mais do que consegue produzir. Por outro lado, o Brasil tem ampliado embarques para as Filipinas, que se tornaram o principal destino do produto brasileiro, já que o país asiático ainda não conseguiu resolver questões ligadas à peste suína africana.
Produção de carne suína
A produção de carne suína do Brasil em 2026 deverá somar até 5,87 milhões de toneladas, um aumento de até 5,0% na mesma comparação, disse Santin, observando que o setor não detectou queda no consumo interno apesar do ambiente econômico desafiador, com endividamento das famílias e as "bets". Para 2027, a associação projeta exportações de carne suína de até 1,7 milhão de toneladas, crescimento de até 6,3% sobre 2026, enquanto a produção deverá atingir até 6,05 milhões de toneladas, avanço de até 3,1% na mesma base de comparação.



