Documentário 'Gente que Cultiva' mostra força da agricultura familiar no sudoeste paulista
Documentário mostra força da agricultura familiar no sudoeste paulista

O documentário 'Gente que Cultiva', produzido pela Associação Cânions Paulistas, destaca a importância da agricultura familiar para a economia, cultura e segurança alimentar do sudoeste paulista. A região, formada por 32 municípios, possui cerca de 23% de sua população vivendo na zona rural, índice bem acima da média brasileira (15%) e muito superior à média do estado de São Paulo (4%).

Lançamento e participantes

O filme será lançado em 16 de julho, às 16h, no Teatro Municipal de Itararé, com presença dos entrevistados e parceiros. Após a exibição presencial, estará disponível gratuitamente no YouTube da associação. A produção percorreu oito cidades – Buri, Capão Bonito, Guapiara, Itaberá, Itapeva, Itararé, Ribeirão Branco e Riversul – e ouviu agricultores familiares, quilombolas, indígenas e assentados.

Objetivos e impacto

Segundo a arquiteta Carolina Klocker, sócia-fundadora da associação, a entidade foi criada há cinco anos para desenvolver projetos ambientais, culturais e de cidadania. Desde 2022, atua em comunidades rurais. 'Uma em cada quatro pessoas da nossa região mora no campo. Percebemos que esse público estava muito desassistido', afirmou. A associação integra a Rede Sociotécnica do Sudoeste Paulista, que reúne órgãos de assistência técnica, universidades e organizações da sociedade civil.

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O trabalho já contribuiu para retirar famílias da linha da pobreza e evitar o fechamento de pequenos negócios rurais. 'Às vezes, com pequenos ajustes, é possível transformar um empreendimento. Levamos educação financeira, planejamento da produção e ajudamos o agricultor a entender custos, despesas e para quem vender', explicou Carolina.

Segurança alimentar e diversidade

O documentário mostra que o sudoeste paulista é estratégico na produção de alimentos para o estado. 'Nossa região é um celeiro de alimentos. Enquanto boa parte da produção brasileira é voltada para commodities, aqui existe enorme diversidade de alimentos que chegam à mesa das pessoas', disse Carolina. Foram 34 entrevistados de seis organizações de agricultores familiares e oito entidades de assessoria. Os produtores cultivam verduras, legumes, frutas, orgânicos e plantas medicinais em pequenas propriedades familiares.

O filme também combate estereótipos sobre o campo. 'Existe uma sabedoria enorme entre essas pessoas. A gente aprende muito com elas. O documentário nasceu como forma de agradecer e valorizar esse conhecimento', afirmou Carolina.

Depoimento de agricultora

Rosani Sato, entrevistada no filme, cultiva orgânicos com o marido em Buri: tomate, pepino, abobrinha, pimentão, gengibre, mandioca e frutas. 'O orgânico é um processo onde temos cuidado especial com o solo, sem uso de agrotóxicos e com preocupação de fornecer alimento saudável e seguro', disse. Para ela, participar das filmagens foi positivo: 'Pudemos mostrar que é possível sobreviver na roça com nossa produção. Viver no campo é muito bom, principalmente quando colaboramos com a natureza e produzimos alimentação saudável para nós e outros.' Rosani espera inspirar outras famílias: 'Meu sonho é que outras pessoas acreditem que é possível viver no campo, produzir, criar os filhos, respeitar a natureza, como fizemos há 34 anos saindo da grande São Paulo.'

Produção e recursos

As gravações ocorreram em sete dias no fim de 2024, por uma equipe de três pessoas, com recursos de R$ 15 mil obtidos pela Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), via edital da Prefeitura de Itararé. Carolina destacou o esforço: 'Nenhum de nós foi muito bem remunerado, mas existe uma causa na qual acreditamos.'

Fortalecimento da agricultura familiar

A Rede Sociotécnica também atua na estruturação da cadeia produtiva. 'A ideia é que o agricultor saiba antecipadamente para quem vai vender, quanto vai produzir e por qual preço. Isso torna a atividade mais segura e reduz o risco de prejuízo', concluiu Carolina.

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