Milhares de pessoas vestidas de preto tomaram as ruas da capital iraniana nesta segunda-feira (6) para uma procissão em homenagem ao falecido líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei. Multidões carregavam cartazes e gritavam palavras de ordem pedindo a morte do presidente dos EUA, Donald Trump. O caixão de Khamenei, coberto com a bandeira iraniana, e os de membros de sua família estavam sobre um caminhão decorado para se assemelhar à grade ornamental que circunda o santuário de um imã.
Morte em ataque aéreo
O aiatolá Ali Khamenei morreu em 28 de fevereiro de 2026, aos 86 anos, durante um ataque aéreo conjunto conduzido pelos Estados Unidos e por Israel. O bombardeio também vitimou sua filha, seu genro, uma nora e um neto. A participação popular massiva, incentivada pela teocracia iraniana como um sinal de força, ocorreu enquanto o país negocia com os EUA um fim definitivo para a guerra que matou o clérigo.
Multidão supera a de Soleimani
Imagens aéreas exibidas pela televisão estatal iraniana mostraram uma multidão imensa que se estendia da Praça Azadi, ou Praça da Liberdade, em Teerã, por quilômetros ao longo de uma avenida de mesmo nome. A multidão parecia ser maior do que a que compareceu à procissão de 2020 em homenagem ao falecido general da Guarda Revolucionária, Qassem Soleimani, que atraiu mais de 1 milhão de pessoas. As autoridades não divulgaram imediatamente um número aproximado da multidão enquanto o caminhão avançava lentamente pela rua.
Apelos por vingança
Pessoas ao longo do trajeto, tanto junto ao caminhão quanto em outros pontos, carregavam cartazes, placas e faixas pedindo a morte de Trump. “Hoje, que estamos aqui para o funeral do nosso líder, é um dia muito difícil”, disse a participante do funeral, Fátima Hassan. “Não estamos aqui para nos despedirmos dele, estamos aqui para nos vingarmos. E nos vingaremos.”
Logística e segurança
As autoridades demonstraram preocupação com os perigos de uma grande multidão ao lado da procissão, com funcionários usando alto-falantes para pedir ao público que caminhasse devagar, não empurrasse e permanecesse nas laterais da rua. Os caixões serão levados pelas ruas de Teerã em uma jornada de 12 horas até o Aeroporto Internacional de Mehrabad, disse o general da Guarda Revolucionária Hasan Hasanzadeh, que está supervisionando a procissão. As autoridades interditaram ruas, espaço aéreo e interromperam a vida cotidiana em sinal de luto. O cortejo começou no sábado (4) e terminará na quinta-feira (9), quando Khamenei será sepultado no santuário do Imã Reza em Mashhad, sua cidade natal.
Luto e ameaças
“Esta é a última vez que o vejo”, disse Maryam Alizadeh, aos prantos. “Nossa geração conviveu com ele por décadas.” À medida que o funeral prosseguia, aumentavam os apelos dos enlutados para vingar a morte de Khamenei. Os participantes e os cartazes que carregavam pediam o assassinato tanto de Trump quanto do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu. Tais cartazes foram vistos novamente na segunda, ao longo do trajeto do cortejo, com uma representação de Trump sendo enforcada. "Estamos aqui para mostrar que seu caminho continuará, e cada uma dessas pessoas seguirá seu caminho com os punhos cerrados e em breve certamente vingaremos sua morte contra os EUA e Israel", disse a enlutada Sahar Zaraatgar.
Monitoramento dos EUA
As autoridades federais dos EUA monitoram as ameaças iranianas contra Trump e outros membros do governo há anos, desde que Trump ordenou o assassinato de Soleimani em 2020, comandante da Força Quds, unidade de elite da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã. O Irã nega repetidamente ter planejado matar Trump, embora imagens de propaganda linha-dura sugiram há tempos que Trump estava na mira de Teerã.



