Digitalização transforma o crédito rural no agronegócio brasileiro
Digitalização transforma crédito rural no agro

A digitalização do crédito no agronegócio brasileiro está redefinindo o acesso ao financiamento rural, com a entrada de fintechs e o uso de dados alternativos, como imagens de satélite e histórico de produção, para avaliação de risco. Segundo estudo da Associação Brasileira de Fintechs (ABFintechs), o volume de operações de crédito digital no setor cresceu 45% em 2025, alcançando R$ 12 bilhões.

Novas fontes de dados e scoring

Empresas como a Agrorobô e a Traive utilizam algoritmos que analisam desde o tipo de solo até a previsão climática para determinar a capacidade de pagamento. “Com essas ferramentas, conseguimos aprovar crédito para produtores que antes eram excluídos pelos bancos tradicionais”, afirma Carlos Alberto, CEO da Agrorobô, em entrevista ao Valor.

O modelo reduz a taxa de inadimplência para 2,3%, contra 5,8% dos financiamentos convencionais, de acordo com dados da plataforma Agrishow Digital. Além disso, o tempo de aprovação do crédito caiu de 20 dias para 48 horas.

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Impacto nos juros e na capilaridade

Com a digitalização, as taxas de juros para pequenos e médios produtores diminuíram, em média, 3 pontos percentuais ao ano, passando de 18% para 15% ao ano. “Isso representa uma economia significativa para quem depende do crédito para plantar”, destaca Maria Santos, analista do Banco Central.

O número de operações em regiões mais remotas, como Norte e Nordeste, cresceu 60% desde 2023, impulsionado por plataformas mobile que dispensam agência física. Atualmente, 35% dos contratos de crédito rural no Brasil já são feitos totalmente digitais, projeta a consultoria McKinsey.

Desafios e regulação

Apesar dos avanços, a digitalização enfrenta barreiras, como a baixa conectividade em áreas rurais e a resistência cultural de alguns produtores. O governo federal, por meio do Banco do Brasil, lançou em março de 2026 um programa de R$ 500 milhões para conectar 2 mil propriedades rurais à internet de alta velocidade.

No campo regulatório, o Banco Central estuda novas normas para crédito digital, que devem incluir a padronização do open finance no agro. “Queremos segurança jurídica para que essas inovações continuem beneficiando o setor”, afirma o diretor de regulação do BC, Paulo Souza.

A expectativa é que, até 2030, 90% do crédito rural no Brasil seja digital, reduzindo o custo operacional dos bancos em até 40% e ampliando o acesso a mais de 500 mil novos produtores.

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