Copa do Mundo nos EUA decepciona setor de viagens; hotéis e voos sofrem
Copa do Mundo nos EUA decepciona setor de viagens; hotéis e voos sofrem

Poucas horas antes do início da Copa do Mundo, o impulso esperado para o setor de viagens e turismo com o maior evento esportivo do ano ainda não se concretizou. Durante anos, esperava-se que o torneio trouxesse uma bonança para o setor de viagens dos Estados Unidos, que agora enfrenta um declínio no número de visitantes internacionais em meio ao que grupos de direitos humanos descrevem como um clima de medo.

As multidões de torcedores com as quais os hotéis contavam ainda não chegaram, forçando muitos a reduzir as tarifas. As reservas de voos caíram drasticamente, enquanto os preços das passagens dispararam. Os ingressos caros para os jogos prejudicaram ainda mais a demanda, e analistas do setor afirmam que o entusiasmo tem sido moderado em comparação com Copas do Mundo anteriores.

Início fraco preocupa setor

O início fraco sugere que o tradicional roteiro de viagens da Copa do Mundo — que normalmente depende de torcedores internacionais dispostos a viajar longas distâncias e gastar muito para acompanhar seus times — está vacilando. Em vez disso, os custos, os obstáculos para a obtenção de vistos e a logística de assistir a jogos em 16 cidades-sede em três países têm se mostrado um impedimento.

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Os viajantes norte-americanos, em um país onde o futebol é menos popular do que na Europa, não estão preenchendo a lacuna. "É no geral uma decepção. Não há outra palavra que eu possa dizer", afirmou Vijay Dandapani, presidente-executivo da Associação de Hotéis da Cidade de Nova York. A associação reduziu sua previsão de receita com quartos de hotel ligada à Copa do Mundo em 60%, para cerca de US$ 60 milhões, disse ele.

A Federação Internacional de Futebol (FIFA) não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.

Demanda de última hora ainda não se concretizou

As reservas de voos da Europa para a maioria das cidades-sede em junho e julho caíram 3,8% em média em relação ao ano anterior, de acordo com a Cirium, mesmo depois de os europeus já terem reduzido as viagens aos EUA em 2025. As reservas da Europa para Nova York, sede da final de 19 de julho, despencaram 15,8%, informou a Cirium.

A Fifa havia projetado que 1,2 milhão de torcedores invadiriam a cidade, mas Dandapani disse que a associação de hotéis de Nova York espera apenas meio milhão. Dandapani disse que houve um pequeno aumento nas reservas de torcedores do Reino Unido e da Noruega recentemente, o que ele chamou de "sinal positivo".

Os hotéis esperam um aumento de última hora após o término da fase de grupos, apesar dos dados iniciais desanimadores. A média de reservas nas cidades-sede subiu apenas 0,5% em relação ao ano anterior, de acordo com a empresa de análise CoStar.

Hotéis oferecem descontos

Vários hotéis de Nova York estão oferecendo descontos em quartos, disse Dandapani, incluindo o New York Hilton Midtown, o maior hotel da cidade, que reduziu as tarifas para o torneio pela metade, para US$ 415 por noite, em comparação com as tarifas anunciadas em dezembro, disse ele.

A rede Hilton informou em abril que estava observando um forte volume de reservas, impulsionado por Nova York. No mês seguinte, a Marriott afirmou que "obviamente ainda há muito a ser reservado, já que os confrontos exatos para a segunda metade da competição ainda não foram decididos". A rede Hilton se negou a comentar, enquanto a Marriott não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.

"Alguns torcedores estão deixando a Copa do Mundo de lado", disse Andy Milne, superfã da Inglaterra e autor do livro That World Cup Guy. "Meus amigos estão indo para Ibiza para assistir a todos os jogos pela TV por uma fração do preço. Outros estão indo para Las Vegas. Ainda vai custar dinheiro, mas muito menos do que ingressos, viagem, hotéis e transporte para os estádios."

Até mesmo torcedores abastados, que impulsionaram o desempenho das agências de viagens dos EUA, estão esperando que os confrontos se definam ou que seus times avancem antes de se comprometerem com a viagem, disse a Roadtrips, empresa especializada em viagens esportivas de luxo.

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Custos de ingresso e vistos são desincentivo

Torcedores de mais da metade dos países classificados precisam de vistos para entrar nos Estados Unidos, o que aumenta os custos e a incerteza para viajantes que já estão receosos com o reforço das medidas de fiscalização nas fronteiras. O governo Trump negou a entrada a um árbitro somali por supostas ligações com "membros suspeitos de organizações terroristas".

As práticas de venda de ingressos da FIFA também desanimaram alguns torcedores. Os organizadores introduziram preços básicos recordes e, pela primeira vez, preços dinâmicos que aumentaram os custos à medida que o torneio se aproximava. A decisão da Fifa de permitir preços de revenda sem limite inflacionou ainda mais os custos e atraiu o escrutínio regulatório.

O ingresso mais barato em cidades-sede como Nova York e Miami agora se aproxima de US$ 1.000, de acordo com a TicketData. Mesmo que os preços dos ingressos caiam pela metade à medida que as partidas importantes se aproximam, a demanda de última hora pode permanecer moderada, já que os torcedores estrangeiros ainda enfrentam o custo e a complexidade de reservar viagens e garantir vistos em curto prazo, disse Dana Lattouf, presidente-executivo da Tickitto, distribuidora de ingressos do Reino Unido.

Aluguéis de temporada como exceção

Aluguéis de temporada, que permitem que grupos dividam os custos, são um raro ponto positivo. A Airbnb disse aos investidores em maio que a Copa do Mundo estava a caminho de se tornar seu maior evento de todos os tempos. Dados da empresa de análise de aluguéis de curta duração AirDNA mostram que as reservas, particularmente para aluguéis econômicos e de baixo custo, estão apresentando alta nas cidades-sede, incluindo Boston e Los Angeles.

As tarifas médias diárias reservadas para aluguéis nas cidades-sede eram de US$ 218, enquanto os viajantes que procurassem agora pagariam cerca de US$ 335 a partir de 8 de junho, informou a AirDNA, conforme os anfitriões aumentam os preços para capturar a demanda de última hora. "Há muito mais demanda de lazer em todas essas cidades por causa da Copa do Mundo. Isso é inegável", disse Jamie Lane, economista-chefe da AirDNA.