O comércio entre Brasil e China atingiu um novo recorde no primeiro semestre de 2026. As exportações brasileiras para o país asiático cresceram 22%, totalizando US$ 58,3 bilhões, impulsionadas principalmente pelo aumento nas vendas de petróleo e carne bovina. Já as importações da China também subiram, com destaque para veículos eletrificados, cujas compras quadruplicaram no período. O superávit comercial com a China chegou a US$ 19,8 bilhões, o que representa quase metade (47%) do saldo positivo de todas as transações fechadas pelo Brasil globalmente de janeiro a junho.
Petróleo e carne bovina lideram exportações
O petróleo bruto foi o principal produto exportado pelo Brasil para a China, com alta de 35% em valor, seguido pela carne bovina, que registrou crescimento de 28%. De acordo com dados do Ministério da Economia, a demanda chinesa por commodities brasileiras continua forte, especialmente devido ao rearranjo do comércio global provocado pelo conflito no Oriente Médio. A China busca diversificar suas fontes de energia e alimentos, beneficiando o Brasil.
Importações de carros elétricos disparam
Do lado das importações, o destaque foi a quadruplicação na compra de veículos eletrificados (elétricos e híbridos) chineses. O Brasil importou US$ 1,2 bilhão nesse segmento no primeiro semestre, ante US$ 300 milhões no mesmo período de 2025. Segundo a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), os modelos chineses já representam 40% das vendas de carros eletrificados no país. "A parceria com a China tem sido fundamental para acelerar a eletrificação da frota brasileira", afirmou Ricardo Bastos, presidente da ABVE.
Superávit recorde e impacto na balança comercial
O superávit de US$ 19,8 bilhões com a China foi fundamental para o resultado positivo da balança comercial brasileira no primeiro semestre, que totalizou US$ 42 bilhões. "Sem o comércio com a China, o Brasil teria um déficit comercial expressivo", destacou o economista-chefe da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Renato da Fonseca. Ele ressaltou que a dependência do mercado chinês é um risco, mas também uma oportunidade para ampliar a pauta de exportações.
Perspectivas para o segundo semestre
Para o segundo semestre, a expectativa é de que o comércio bilateral continue aquecido. A China deve aumentar as compras de soja e milho brasileiros, enquanto o Brasil pode elevar as importações de máquinas e equipamentos chineses. No entanto, especialistas alertam para possíveis impactos das tensões geopolíticas e da desaceleração da economia chinesa. "O recorde atual é positivo, mas precisamos diversificar nossos parceiros comerciais para reduzir vulnerabilidades", concluiu Fonseca.



