As chuvas intensas que atingem o Rio Grande do Sul desde o início da semana já provocam estragos em lavouras de soja e milho, especialmente nas regiões Norte e Noroeste do estado. De acordo com a Emater-RS, as perdas são parciais, mas preocupam os produtores, que enfrentam dificuldades para realizar a colheita e o plantio.
Prejuízos nas lavouras de soja
Na região de Passo Fundo, as chuvas acumuladas ultrapassaram 200 milímetros em apenas cinco dias, causando alagamentos e erosão do solo. A soja, que está em fase de enchimento de grãos, sofreu com o excesso de água, resultando em grãos chochos e queda de produtividade. Segundo o engenheiro agrônomo da Emater, Marcos Vinícius da Silva, “as perdas podem chegar a 30% em algumas propriedades, dependendo da variedade e do manejo”.
Impacto no milho
O milho também foi afetado, principalmente nas lavouras em fase de colheita. Em Erechim, os ventos fortes acompanhados de chuva derrubaram plantas, dificultando a colheita mecanizada. A Emater estima que cerca de 15% da área plantada de milho na região tenha sido comprometida. “O solo encharcado impede a entrada de máquinas, e os grãos úmidos podem fermentar, perdendo qualidade”, explicou Silva.
Problemas logísticos e escoamento
Além dos danos diretos às lavouras, as chuvas também causaram transtornos logísticos. Estradas rurais foram danificadas, dificultando o escoamento da produção. Em algumas localidades, o transporte de grãos para os silos está paralisado. A Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul) informou que está monitorando a situação e cobrando providências do governo estadual para a recuperação das vias.
Previsão do tempo e alertas
A previsão do tempo para os próximos dias indica a continuidade das chuvas, com possibilidade de novos temporais. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu alerta laranja para tempestades em grande parte do estado. Os produtores rurais estão em alerta máximo, especialmente aqueles que ainda não concluíram a colheita da soja e o plantio do milho safrinha.
Medidas de mitigação
A Emater recomenda que os agricultores adotem práticas de conservação do solo, como o terraceamento e a drenagem, para minimizar os impactos de eventos climáticos extremos. Além disso, o órgão orienta a realização de vistorias frequentes nas lavouras para identificar precocemente problemas fitossanitários que possam ser agravados pela umidade.
As chuvas no Rio Grande do Sul já são consideradas as mais intensas dos últimos cinco anos para o mês de julho, segundo dados históricos da Emater. A situação reforça a necessidade de políticas públicas voltadas à adaptação climática no campo, especialmente diante do aumento da frequência de eventos extremos.



