China acelera domínio no mercado brasileiro de máquinas agrícolas
China acelera presença em máquinas agrícolas no Brasil

Empresas chinesas estão acelerando sua presença no mercado brasileiro de máquinas agrícolas, com um crescimento de 15% nas vendas em 2025, superando a média do setor. Fabricantes como Zoomlion, XCMG, YTO e Lovol têm ampliado sua participação, aproveitando parcerias locais e linhas de crédito rural.

Participação chinesa em alta

De acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), a participação de máquinas chinesas no mercado nacional saltou de 8% em 2020 para 18% em 2025. O crescimento é puxado por tratores e colheitadeiras de médio porte, que competem diretamente com marcas tradicionais como John Deere e Massey Ferguson.

“As máquinas chinesas oferecem boa relação custo-benefício e estão se adaptando às necessidades do produtor brasileiro”, afirma Carlos Rodrigues, diretor de vendas da Zoomlion no Brasil. Segundo ele, a empresa investiu R$ 200 milhões em uma fábrica em São Paulo, gerando 500 empregos diretos.

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Parcerias estratégicas e inovação

A XCMG, gigante estatal chinesa, firmou acordo com a rede de concessionárias Stara para distribuição de colheitadeiras no Sul e Centro-Oeste. Além disso, a YTO lançou uma linha de tratores com motor a biodiesel, atendendo à demanda por sustentabilidade.

O governo chinês, por meio do Banco de Desenvolvimento da China, oferece linhas de crédito com juros reduzidos para compradores brasileiros, o que tem sido um diferencial competitivo. Especialistas apontam que a guerra comercial entre EUA e China também favorece essa expansão, com Pequim buscando consolidar mercados na América Latina.

Impacto no mercado interno

O avanço chinês preocupa fabricantes nacionais, que perderam 12% de market share nos últimos cinco anos. A Associação Nacional dos Fabricantes de Implementos Agrícolas (ANAFIA) cobra do governo medidas de proteção, como aumento de tarifas de importação.

No entanto, para o produtor rural, a concorrência tem benefícios. “O preço das máquinas caiu cerca de 10% desde 2023, e a oferta de peças e assistência técnica melhorou”, destaca Marcos Oliveira, proprietário de uma fazenda em Mato Grosso. Ele adquiriu duas colheitadeiras chinesas no último ano.

Perspectivas para 2026

Projeções indicam que a participação chinesa pode chegar a 25% do mercado brasileiro de máquinas agrícolas até 2027. A XCMG anunciou planos de abrir uma segunda fábrica no Brasil, enquanto a Lovol estuda parcerias com cooperativas para financiamento direto ao produtor.

A tendência é que a incorporação de tecnologia, como sistemas de piloto automático e sensores de produtividade, torne as máquinas chinesas ainda mais competitivas. O mercado brasileiro, um dos maiores do mundo, continua sendo prioridade para as empresas asiáticas, que veem no agronegócio uma porta de entrada para outros setores.

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