Apagão de mão de obra desafia indústria brasileira e reduz produtividade
Apagão de mão de obra desafia indústria brasileira

A indústria brasileira vive um paradoxo: mercado de trabalho próximo do pleno emprego, mas enorme dificuldade para contratar profissionais qualificados. O resultado é um "apagão" de mão de obra que compromete a produtividade, reduz a competitividade e acelera investimentos em automação, inovação e qualificação. O tema será central na Expo+ Indústria, feira promovida pela Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), com correalização do Sesi, Senai e IEL, de 25 a 27 de agosto no Expotrade Pinhais.

Produtividade brasileira é 7,8 vezes menor que a da Irlanda

Dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT/ILOSTAT) medem a produtividade pelo PIB por hora trabalhada, em dólares internacionais ajustados por paridade de poder de compra. Em 2025, a Irlanda lidera com US$ 167,3 por hora, seguida por Luxemburgo (US$ 165,3), Channel Islands (US$ 150,53), Guiana (US$ 146,5) e Noruega (US$ 129,23). O Brasil registra cerca de US$ 21 por hora, valor 7,8 vezes inferior ao da Irlanda, evidenciando a enorme distância para as economias mais produtivas.

Para especialistas, aumentar a produtividade exige formar profissionais para operar novas tecnologias, modernizar fábricas e transformar digitalmente os processos industriais.

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Automação é necessária, mas crédito é entrave

O gerente de Desenvolvimento Industrial e Social da Fiep, Marcelo Percicotti, afirma que a resistência à automação já não é o principal obstáculo. "A conscientização sobre a necessidade de investir em automação já é significativa. Na sondagem da Fiep no final de 2025, 76% dos industriais afirmaram que pretendem investir em melhorias de processos e produtos este ano. A maior dificuldade está no acesso ao crédito com taxas adequadas, principalmente para máquinas e equipamentos importados", destaca.

Segundo ele, modernizar vai além de aumentar produção: "Modernizar significa permanecer competitivo. A automação reduz custos, melhora a qualidade, aumenta a eficiência energética e hídrica e fortalece a capacidade de competir em um mercado global".

Empregos existem, mas faltam profissionais qualificados

Dados do Novo Caged mostram que a indústria continua gerando vagas, mas em ritmo menor. Em maio de 2026, a indústria paranaense criou 1.006 empregos formais, resultado 48% inferior ao mês anterior e 55% menor que em maio de 2025. No acumulado do ano, o saldo é positivo com 22.785 vagas, mas queda de 24,5% em relação ao mesmo período do ano passado.

Percicotti enfatiza que o avanço tecnológico não ameaça empregos: "Vivemos praticamente uma situação de pleno emprego. A automação não elimina postos de trabalho. Ela permite realocar trabalhadores para funções onde há falta de pessoas, tanto na própria indústria quanto em outros setores".

Tecnologia e qualificação caminham juntas

A transformação digital exige novas competências: operação de robôs, inteligência artificial, análise de dados, manutenção preditiva e integração de sistemas. Pesquisa da Fiep revela que cerca de 60% dos empresários pretendem usar recursos próprios para investir em novas tecnologias, reflexo do elevado custo do crédito produtivo. A modernização deixou de ser diferencial para se tornar condição de sobrevivência.

Expo+ Indústria busca soluções para elevar produtividade

A Expo+ Indústria será um ambiente de conexão entre indústria, tecnologia, educação e inovação, com debates sobre automação, inteligência artificial, indústria 4.0, transformação digital, qualificação profissional, sustentabilidade, gestão industrial e produtividade. Mais do que debater a escassez de mão de obra, a feira pretende mostrar que produtividade e empregabilidade caminham juntas. Os dados da OIT reforçam: as economias mais produtivas combinam inovação, qualificação e ambientes favoráveis ao investimento. Para a indústria brasileira, reduzir essa distância passa pela formação de talentos que impulsionem competitividade e crescimento sustentável.

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