A tradição algodoeira do Rio Grande do Norte está renascendo no semiárido potiguar. Após um período de forte retração, produtores rurais e empresas do setor voltam a investir no cultivo do algodão, aproveitando inovações tecnológicas e variedades geneticamente adaptadas às condições climáticas da região.
Resgate histórico e inovação
O algodão foi durante décadas um dos pilares da economia potiguar, especialmente nos municípios do interior. No entanto, a combinação de pragas, secas prolongadas e falta de incentivos levou ao colapso da produção nos anos 1990. Hoje, com o apoio de pesquisas da Embrapa e de cooperativas locais, a cultura está sendo retomada. Novas variedades de algodão resistentes à estiagem e com maior produtividade estão sendo testadas em propriedades rurais de cidades como Apodi, Mossoró e Caicó.
"O retorno do algodão representa não apenas uma fonte de renda, mas a recuperação de um saber fazer que marcou gerações", afirma o engenheiro agrônomo Carlos Mendes, da Emater-RN, que acompanha o projeto.
Impacto econômico e social
A retomada do cultivo já gera empregos diretos e indiretos na zona rural. Pequenos agricultores familiares, que antes dependiam exclusivamente da criação de caprinos e ovinos, passaram a diversificar a produção. A fibra do algodão potiguar, de alta qualidade, tem despertado o interesse de indústrias têxteis do Sudeste do Brasil. A expectativa é de que, nos próximos anos, a área plantada cresça significativamente, consolidando o estado como um novo polo algodoeiro no Nordeste.
"Estamos colhendo os frutos de anos de pesquisa e dedicação. O semiárido tem potencial, desde que se use a tecnologia adequada", destaca o presidente da Associação dos Algodoeiros do RN, João Batista Silva.
Desafios e perspectivas
Apesar do otimismo, os produtores enfrentam desafios como a irregularidade das chuvas e a necessidade de irrigação suplementar. O governo estadual, em parceria com o Ministério da Agricultura, tem oferecido linhas de crédito e assistência técnica para mitigar os riscos. A implementação de sistemas de captação de água e o uso de bioinsumos também estão sendo incentivados.
"O algodão voltou para ficar. Mas precisamos de políticas públicas contínuas e acesso a mercados", ressalta o agricultor José Maria, que cultiva 20 hectares em Apodi. A previsão é de que a safra deste ano supere as expectativas, colocando novamente o Rio Grande do Norte no mapa da cotonicultura nacional.



