O agronegócio brasileiro enfrenta uma verdadeira fila de problemas que precisam ser resolvidos com urgência, sob risco de comprometer a competitividade do setor. De acordo com o Instituto Brasileiro de Agronegócio (IBAgro), as perdas de produtividade devido a gargalos logísticos atingiram 12% em 2025, um recorde histórico. O cenário é agravado pela burocracia excessiva, falta de crédito rural e pressões ambientais crescentes.
Gargalos logísticos travam o escoamento
O transporte da produção agrícola, especialmente nos estados do Centro-Oeste, sofre com estradas em más condições e ferrovias insuficientes. A safra recorde de grãos de 2025, estimada em 320 milhões de toneladas, encontrou dificuldades para chegar aos portos. Segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), o custo logístico representa 30% do valor final dos produtos, ante 20% em países concorrentes como Estados Unidos e Argentina.
“O produtor perde receita enquanto os caminhões ficam horas parados em filas nos terminais portuários”, afirma João Silva, presidente da Associação dos Produtores Rurais de Mato Grosso. Ele cita o caso do Porto de Santos, onde o tempo médio de espera para descarregar soja subiu para 15 dias em junho de 2025.
Crédito escasso e juros altos
A falta de linhas de financiamento adequadas é outro entrave. O Plano Safra 2025/2026 destinou R$ 400 bilhões, mas os recursos são insuficientes diante da demanda. Pequenos e médios produtores recorrem a bancos privados com taxas de juros entre 12% e 18% ao ano, inviabilizando investimentos em tecnologia e irrigação. O IBAgro estima que 35% dos agricultores familiares não conseguiram acesso ao crédito formal em 2025.
“Precisamos de um plano de crédito com juros menores e prazos mais longos, compatíveis com o ciclo agrícola”, defende Maria Oliveira, analista do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Ela sugere que o governo federal amplie os subsídios para a agricultura familiar.
Pressão ambiental e regularização fundiária
As exigências ambientais, embora necessárias, criam obstáculos burocráticos. O Cadastro Ambiental Rural (CAR) ainda tem 60% das propriedades pendentes de análise. Isso atrasa a obtenção de licenças e expõe os produtores a multas. Além disso, a regularização fundiária em áreas da Amazônia Legal permanece lenta. Dados do INCRA indicam que apenas 10% dos títulos de posse foram emitidos nos últimos cinco anos.
“O produtor que quer estar regular enfrenta um labirinto de órgãos e normas. Enquanto isso, a ilegalidade avança”, alerta Carlos Pereira, líder do movimento ‘Produzir Legal’. Ele cobra uma integração entre os sistemas federal e estaduais.
Impactos na balança comercial
Os problemas afetam diretamente as exportações. O Brasil perdeu participação no mercado asiático de soja para os Estados Unidos e a Argentina. Em 2025, as exportações brasileiras de carne bovina caíram 5% devido a embargos sanitários não resolvidos. A balança comercial do agronegócio, que historicamente gera superávits, registrou saldo 8% menor em relação a 2024.
“Se não resolvermos esses gargalos, perderemos competitividade e receitas”, conclui o economista-chefe da Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG), Augusto Lima. Ele projeta que, com investimentos em infraestrutura e desburocratização, o setor poderia crescer 3% ao ano nos próximos cinco anos.



