O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) celebrou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com a empresa EldoradoAgro Participações Ltda. que prevê o pagamento de R$ 47.196.930,27 para reparar os danos coletivos sofridos por cafeicultores cooperados da Cooperativa dos Cafeicultores e Agropecuaristas de Ibiraci (Cocapil), no Sul de Minas. O acordo, assinado em 23 de julho pela Promotoria de Justiça de Ibiraci, estabelece que os recursos serão depositados em conta judicial vinculada à Vara Única da Comarca de Ibiraci e ficarão à disposição dos cooperados lesados.
Detalhes do acordo
Pelo TAC, a EldoradoAgro comprometeu-se a destinar o montante para o ressarcimento dos produtores rurais atingidos pela crise da cooperativa. O pagamento deverá ocorrer prioritariamente por meio da venda de imóveis da empresa, com os valores sendo integralmente depositados em conta judicial. O documento também prevê a realização de uma perícia técnico-contábil para apurar com exatidão o valor dos danos causados a cada cooperado. Segundo o MPMG, a medida busca preservar patrimônio suficiente para garantir a futura indenização e reforça a atuação da instituição na defesa dos interesses coletivos e da economia local.
Entenda o esquema de desvio de café
O acordo foi firmado no âmbito de um inquérito civil instaurado para assegurar a reparação dos danos relacionados ao desaparecimento de 21 mil sacas de café armazenadas nos barracões da Cocapil. De acordo com a Polícia Civil, o esquema pode ter feito cerca de 180 vítimas e provocado um prejuízo de, no mínimo, R$ 132 milhões, incluindo perdas dos produtores, dívidas bancárias e com fornecedores. O principal investigado é o empresário Elvis Vilhena Faleiros, então presidente da cooperativa. A fraude começou a ser descoberta em agosto do ano passado, quando produtores procuraram a cooperativa para retirar sacas de café e constataram que o produto não estava mais nos armazéns.
Investigação e prisão
Faleiros teve a prisão decretada pela Justiça em janeiro e foi preso em fevereiro, após permanecer mais de um mês foragido. Ele é investigado pelos crimes de apropriação indébita, gestão temerária de cooperativa e associação criminosa. Além dele, dois diretores da Cocapil tiveram os bens penhorados durante as investigações. A defesa de Elvis Vilhena Faleiros informou que já fez acordos com produtores e cooperados da cooperativa que ele presidia para fazer o pagamento de todas as sacas de café pendentes. A defesa declarou ainda que "nenhum produtor ficará no prejuízo".
Impacto regional
A região Sul de Minas é uma das principais produtoras de café do Brasil, e a crise na Cocapil afetou diretamente a economia local. O acordo firmado pelo MPMG busca não apenas reparar os danos individuais, mas também restabelecer a confiança no sistema cooperativista da região. O g1 tentou contato com a EldoradoAgro Participações Ltda., mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.



