Açúcar brasileiro fica fora de sobretaxa de 125% dos EUA
Açúcar brasileiro escapa de taxa de 125% dos EUA

Os Estados Unidos anunciaram a imposição de uma sobretaxa antidumping de 125% sobre as importações de açúcar do México, mas o açúcar brasileiro ficou de fora da medida. A decisão, publicada pelo Departamento de Comércio dos EUA, excluiu o Brasil da lista de países afetados, mantendo o acesso preferencial do produto nacional ao mercado norte-americano.

Detalhes da decisão americana

O governo dos EUA concluiu que o México praticou dumping na venda de açúcar, prejudicando a indústria doméstica. Como resultado, foi aplicada uma tarifa de 125% sobre o produto mexicano. O Brasil, que também é um grande exportador de açúcar para os EUA, foi investigado, mas não foram encontradas evidências de práticas desleais. “A decisão confirma que o açúcar brasileiro é competitivo e não recorre a subsídios ou dumping”, afirmou o presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), Evandro Gussi.

O Brasil exporta anualmente cerca de 1,5 milhão de toneladas de açúcar para os Estados Unidos, volume que representa aproximadamente 15% das importações totais do país. Com a exclusão da sobretaxa, os produtores brasileiros mantêm a participação no mercado, enquanto o México, que respondia por 25% das importações, terá sua competitividade drasticamente reduzida.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Impacto no mercado internacional

Especialistas apontam que a decisão pode elevar os preços do açúcar nos EUA, já que a oferta do México será reduzida. O Brasil, por sua vez, pode aumentar sua fatia no mercado americano. “É uma oportunidade para o açúcar brasileiro ganhar espaço, mas também exige cuidado para evitar que o país seja alvo de novas medidas protecionistas”, comentou o analista de agronegócio João Pedro Cuthi Dias.

O governo brasileiro comemorou a decisão. O Ministério da Agricultura destacou que o Brasil cumpre as regras do comércio internacional e que a isenção reforça a qualidade do produto nacional. “O açúcar brasileiro é reconhecido mundialmente por sua eficiência e sustentabilidade”, disse o ministro Carlos Fávaro.

Contexto da disputa comercial

A sobretaxa contra o México foi motivada por denúncias de produtores americanos, que alegaram que o país vizinho vendia açúcar abaixo do custo de produção. A investigação durou 18 meses e culminou na tarifa de 125%. O Brasil, que já foi alvo de medidas antidumping dos EUA no passado, conseguiu demonstrar que suas exportações são realizadas em condições normais de mercado.

Para a UNICA, a decisão mostra a força do setor sucroenergético brasileiro. “O Brasil é o maior produtor mundial de cana e tem um dos menores custos de produção, o que nos permite competir de forma justa”, destacou Gussi. A entidade projeta que as exportações para os EUA devem crescer até 10% neste ano, aproveitando o vácuo deixado pelo México.

A expectativa é que a medida americana também impacte o mercado global de açúcar, com possíveis reflexos nos preços internacionais. O Brasil, que já lidera as exportações mundiais, pode consolidar ainda mais sua posição.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar