Na manhã deste sábado (1º), um caso de violência doméstica que poderia ter terminado em feminicídio foi impedido pela coragem de um filho de 18 anos. O crime aconteceu em Guarujá do Sul, pequena cidade do extremo-oeste catarinense, próxima à divisa com a Argentina. A vítima, uma mulher ainda não identificada, foi surpreendida pelo ex-companheiro dentro da garagem de casa, no bairro Sulina, enquanto ia ao banheiro. O agressor estava armado e fazia ameaças. A ação rápida do jovem evitou o pior.
O que aconteceu
Segundo a Polícia Militar (PM), o jovem relatou que, por volta das 7h40, sua mãe foi ao banheiro quando foi abordada pelo ex-companheiro, de 36 anos, que não é seu pai. O homem a ameaçava com uma arma de fogo. Ao ouvir os gritos de socorro, o filho correu até o local e viu a mãe sob a mira da arma.
Ele tentou desarmar o agressor, mas durante a luta a arma disparou. O tiro causou queimaduras e lesões nas mãos do jovem. Mesmo ferido, ele continuou lutando e conseguiu conter o homem até sair para pedir ajuda.
Socorro e segundo disparo
Após o confronto, o filho foi até a casa de vizinhos pedir socorro. A mãe permaneceu na residência. Foi quando ela ouviu um segundo disparo. Ao sair, encontrou o ex-companheiro morto. O Corpo de Bombeiros foi acionado e confirmou o óbito no local.
A Polícia Civil e a Polícia Científica também foram chamadas para realizar a perícia e investigar o caso. A mãe e o filho, que sofreu lesões nas mãos, foram levados ao hospital com a ajuda de uma vizinha. Não há informações oficiais sobre o estado de saúde deles.
Repercussão e investigação
O caso chocou os moradores do bairro Sulina e da cidade. A Polícia Civil deve ouvir testemunhas e analisar as circunstâncias para esclarecer todos os detalhes. A PM reforçou a importância de denunciar situações de violência doméstica antes que elas cheguem a esse ponto.
O que é feminicídio?
Feminicídio é o homicídio de mulheres praticado em virtude do gênero, ou seja, pela condição de ser mulher. A lei brasileira (Lei nº 13.104/2015) considera feminicídio os casos que envolvem violência doméstica e familiar, além de menosprezo ou discriminação à condição de mulher. A pena prevista é de 12 a 30 anos de reclusão.
Além disso, a Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006) estabelece medidas protetivas de urgência, como afastamento do agressor e proibição de aproximação. Denúncias podem ser feitas pelo Ligue 180, Central de Atendimento à Mulher, que funciona 24 horas. A atitude do jovem foi fundamental para evitar um desfecho trágico. Em situações de violência doméstica, a orientação das autoridades é acionar a Polícia Militar pelo 190 e procurar ajuda de vizinhos ou familiares. Em muitos casos, a intervenção imediata pode salvar vidas.



