Um adolescente de 17 anos confessou ter matado Washington Rodrigo, de 33 anos, em um hotel no bairro de Manaíra, em João Pessoa. O suspeito se apresentou à Polícia Civil em Caicó, no Rio Grande do Norte, e foi ouvido nesta terça-feira (28). A investigação esclareceu a sequência dos fatos, desde o primeiro contato entre os dois até a fuga e prisão do adolescente.
Primeiro contato e encontro
Segundo o delegado Diego Garcia, o adolescente chegou a João Pessoa na quinta-feira (23) e, no mesmo dia, acessou um site de relacionamento. Ele encontrou Washington Rodrigo e iniciou uma conversa por meio do contato disponível na plataforma. A conversa continuou por um aplicativo de mensagens, e o encontro foi marcado para o dia seguinte. A defesa do adolescente confirmou a versão, afirmando que a escolha por Rodrigo foi aleatória.
Para entrar no hotel, o suspeito utilizou um documento falso. Familiares de Washington Rodrigo disseram à TV Cabo Branco que ele trabalhava como motorista autônomo e havia informado à mãe que faria uma corrida para Pipa, no Rio Grande do Norte, antes de desaparecer.
Dinâmica do crime
Na madrugada de sexta-feira (24), os dois se encontraram no hotel. De acordo com a Polícia Civil, o adolescente alegou que se sentiu intimidado ao suspeitar que a vítima havia registrado parte do momento íntimo. O delegado Diego Garcia detalhou: "Alegou que se sentiu intimidado e ameaçado pela vítima que supostamente teria fotografado alguma parte do momento íntimo dos dois, ao passo que fez ele se algemar, simulando um fetiche, e, mediante o uso de uma airsoft, o constrangeu para entregar seu celular para que ele verificasse se havia mensagem ou fotografias em detrimento de sua pessoa, já que ele se acha um teólogo e por isso não poderia ter a imagem corrompida".
A defesa afirmou que o adolescente confessou o homicídio e disse ter agido por medo de ter a orientação sexual exposta. O adolescente usou o cabo de um secador de cabelo do hotel para estrangular Washington Rodrigo. Ele afirmou que a intenção era apenas deixar a vítima desacordada para fugir. No entanto, o Instituto de Medicina Legal (IML) confirmou que a morte foi por asfixia. O diretor do IML, médico Flávio Fabres, informou que a vítima também apresentava sinais de tortura.
Tentativa de fuga e apreensões
Após o crime, o adolescente tentou sair do hotel com o carro da vítima, mas não conseguiu. "Ele tenta sair com o carro da vítima, mas não consegue e evade sozinho, em comportamento normal, inclusive fazendo postagens como se nada tivesse acontecido", afirmou o delegado Cristiano Santana. O corpo foi encontrado por uma copeira ao deixar o quarto.
A Polícia Civil apreendeu uma pistola de airsoft e algemas, objetos que ajudaram a esclarecer a dinâmica do crime. "Existe um airsoft que foi apreendido. De fato existiram objetos que foram de grande valia para identificação, com elementos robustos que identificavam a participação do menor", disse o delegado Diego Garcia. A polícia informou ainda que não foram encontrados entorpecentes no quarto.
Antecedentes do adolescente
O adolescente se apresentou à polícia na segunda-feira (27), em Caicó, acompanhado do advogado. Após o depoimento, ele foi encaminhado para João Pessoa, onde o caso segue sob investigação da Delegacia da Infância e da Juventude. A Polícia Civil informou que o adolescente possui pelo menos 17 boletins de ocorrência registrados no Rio Grande do Norte, incluindo atos infracionais análogos a furto qualificado, extorsão, perseguição (stalking), ameaça, violência doméstica e lesão corporal. Ele já havia sido internado em uma unidade para menores infratores.



