O aumento de casos de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) já provocou 14 mortes em 2026 e sobrecarrega o sistema de saúde do oeste paulista. Municípios como Rancharia, Martinópolis e Álvares Machado operam com lotação máxima, conforme apuração da TV TEM. O tempo seco e a oscilação de temperatura, típicos do inverno na região de Presidente Prudente, pressionam o atendimento nas Santas Casas e prontos-socorros.
Números da SRAG na região
Dados da Secretaria Estadual da Saúde mostram crescimento da incidência de SRAG, que reúne os casos mais graves de infecções respiratórias e exige hospitalização. Presidente Prudente lidera em número absoluto de registros, com 46 casos e quatro mortes. Rosana chama a atenção pela maior incidência proporcional: 14 casos, três óbitos e taxa de 82,83 casos por 100 mil habitantes. Outros municípios com mortes: Dracena (15 casos, 2 mortes), Pirapozinho (4 casos, 1 morte), Presidente Venceslau (4 casos, 1 morte), Quatá (3 casos, 1 morte), Euclides da Cunha Paulista (1 caso, 1 morte) e Paulicéia (1 caso, 1 morte).
Lotação nas unidades de saúde
Em Rancharia, município que costuma registrar algumas das menores temperaturas da região, o movimento no Pronto-Socorro do Hospital e Maternidade segue acima do normal. O presidente da unidade, Nelson Coletto, ressalta que a situação está sob controle e que, até o momento, nenhum paciente precisou ser transferido por falta de vaga. Ainda assim, dos 105 leitos disponíveis, a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e a ala de observação operam com lotação máxima. O médico Fernando Costa Moraes reforça: “No inverno, a gente tem realmente uma sobrecarga, um aumento de demanda importante nos casos de doenças respiratórias”. Ele explica que há possibilidade de os casos evoluírem para internação na UTI, como infecções e complicações de doenças pulmonares obstrutivas crônicas, como asma.
Aumento de casos em outras cidades
Na Santa Casa de Martinópolis, a ocupação chega a 80% dos leitos de internação, impulsionada pelo crescimento de pacientes com doenças respiratórias. Em Álvares Machado, dados consolidados entre março e meados de julho evidenciam o impacto do frio: os casos de pneumonia passaram de nove em março para 27 entre junho e julho, aumento de 200%. Já os atendimentos por infecções das vias aéreas superiores (faringites, laringites e sinusites) cresceram de 27 para 95 casos no mesmo período, alta de 252%. A equipe de enfermagem da Santa Casa local destaca que o avanço acompanha a maior circulação de vírus no inverno e reforça a necessidade de cuidados preventivos.
Mudança de temperatura e previsão do tempo
Moradores da região de Presidente Prudente podem sentir mudanças a partir de quarta-feira (22), com possibilidade de muitas nuvens e chuva isolada, segundo o Inmet. As temperaturas mínima e máxima devem ficar entre 19 °C e 33 °C. Na quinta-feira (23), a virada do tempo deve ser mais intensa, com muitas nuvens, pancadas de chuva e trovoadas isoladas; temperaturas entre 17 °C e 27 °C. Na sexta-feira (24), muitas nuvens e pancadas de chuva, com temperaturas de 17 °C a 26 °C. No sábado (25), há chances de calor, chegando a 29 °C.
Como reduzir o risco de doenças respiratórias
A tenente Ludmyla Alcantara, diretora-adjunta de Comunicação da Defesa Civil do Estado de São Paulo, destacou a necessidade de cuidado com o tempo seco: “É importante manter-se hidratado e deixar os ambientes bem ventilados, justamente para evitar a proliferação de vírus nesse período em que as pessoas tendem a manter as casas fechadas”. Ela recomenda deixar uma fresta aberta para circulação de ar e manter o ambiente úmido com umidificadores ou recipientes com água. Crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias crônicas (asma, bronquite) são os mais vulneráveis. Especialistas recomendam: manter boa hidratação, ventilar os ambientes, lavar as mãos com frequência ou usar álcool em gel, e manter a vacinação contra a gripe (Influenza) em dia.



