Levantamento da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) mostrou que os acidentes com motocicletas foram proporcionalmente mais graves do que os envolvendo automóveis em Juiz de Fora no primeiro semestre de 2026. Seis em cada dez colisões com motos deixaram vítimas, contra apenas duas em cada dez batidas com carros.
Números confirmam a gravidade
Entre janeiro e junho, a cidade contabilizou 3.666 acidentes de trânsito. Deste total, 1.002 envolveram motocicletas, resultando em 621 ocorrências com vítimas e oito mortes. Os automóveis, por sua vez, estiveram presentes em 2.983 acidentes, sendo 589 com vítimas e dez com óbito. Isso significa que 62% dos acidentes com motos deixaram pessoas feridas ou mortas, enquanto a taxa para automóveis foi de 19,7%.
A leitura dos números é clara: enquanto seis em cada dez acidentes com motocicletas produzem vítimas, entre os carros a proporção é de aproximadamente dois em cada dez.
Vulnerabilidade do motociclista
César Bara, professor do Departamento de Transportes e Geotecnia da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), explica que a fragilidade do condutor diante de um veículo de duas rodas é determinante para a gravidade das lesões. "Os motociclistas costumam andar em alta velocidade, surpreendendo ou sendo surpreendidos. A moto não tem a estrutura de um veículo de quatro rodas para absorver impactos. O corpo do motociclista acaba funcionando como essa estrutura, seja quando ele é atingido, seja quando cai ou é lançado ao chão", disse.
A ausência de carroceria, airbags e cintos de segurança faz com que qualquer batida exponha o corpo do motociclista a um impacto direto, aumentando o risco de lesões graves e fatais.
HPS de Juiz de Fora registra aumento de atendimentos
Os reflexos dessa violência no trânsito são sentidos no Hospital de Pronto Socorro (HPS) de Juiz de Fora. Segundo a prefeitura, o número de atendimentos a vítimas de acidentes de trânsito vem crescendo ano após ano:
- 2023: 4.751 atendimentos
- 2024: 5.081 atendimentos
- 2025: 5.339 atendimentos
- 2026: 1.744 atendimentos até abril
Os dados abrangem vítimas de atropelamentos, quedas de motocicleta, quedas em ônibus e acidentes com automóveis. O aumento contínuo acende um alerta para as autoridades de saúde e segurança.
Falta de atenção lidera causas
De acordo com a Sejusp, a falta de atenção é o principal fator associado aos acidentes de trânsito em Juiz de Fora. Essa causa aparece em mais da metade dos registros com motocicletas e também lidera as estatísticas entre automóveis. A classificação é adotada pelo órgão quando a desatenção do condutor é apontada como causa presumida da ocorrência.
O professor César Bara afirma que o uso do celular é, atualmente, o maior vilão para a perda de atenção no trânsito. "O uso do celular é, principalmente, o que caracteriza a falta de atenção. Depois, vêm o uso do GPS, os ajustes no sistema multimídia do veículo, o cansaço, o sono, o consumo de álcool e a pressa", afirmou.
Ele ainda criticou o comportamento generalizado dos condutores: "As pessoas respondem mensagens e usam o celular como se estivessem fora de um veículo. Estão viciadas e não conseguem controlar esse comportamento. Parece que existe uma emergência constante."
Principais avenidas com mais acidentes
Entre as vias mais críticas da cidade, a Avenida Presidente Juscelino Kubitschek (JK) lidera o ranking de ocorrências, seguida pela Avenida Barão do Rio Branco. Essas vias, que concentram grande fluxo de veículos, são também onde se registram os acidentes mais graves, segundo os dados da Sejusp.
A combinação de tráfego intenso, alta velocidade e distrações como o celular contribui para o cenário. Especialistas defendem maior fiscalização, campanhas de conscientização e melhorias na infraestrutura urbana como medidas para reduzir os índices.



