Ferrovias podem diversificar polos de exportação do Brasil
Ferrovias diversificam exportação do Brasil

As ferrovias brasileiras estão em posição estratégica para diversificar os polos de exportação do país, atualmente concentrados em poucos portos. Com investimentos e concessões, a malha ferroviária pode conectar novas regiões produtoras a terminais alternativos, reduzindo custos e gargalos logísticos.

Expansão da malha ferroviária

O governo federal e a iniciativa privada têm planejado a ampliação de trechos ferroviários, especialmente no Centro-Oeste e Nordeste. A Ferrovia de Integração Oeste-Leste (FIOL) e a Ferrovia Norte-Sul são exemplos de projetos que podem escoar a produção de grãos e minerais para portos como Ilhéus (BA) e Itaqui (MA).

Segundo o Ministério da Infraestrutura, a participação do modal ferroviário na matriz de transporte de cargas deve subir de 15% para 30% até 2035, com foco em commodities agrícolas.

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Redução da dependência portuária

Atualmente, cerca de 70% das exportações brasileiras passam pelos portos de Santos (SP), Paranaguá (PR) e Rio Grande (RS). A sobrecarga desses terminais gera filas de caminhões e perdas de cargas. Com ferrovias, novos polos como o Porto do Açu (RJ) e o Porto de Pecém (CE) podem ganhar relevância.

“As ferrovias oferecem uma alternativa mais eficiente e sustentável para o escoamento da produção, diminuindo a pressão sobre os portos do Sul e Sudeste”, afirma João Carlos, analista de logística do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

Impacto no agronegócio

O agronegócio é o setor que mais se beneficia da diversificação. Produtores de soja, milho e algodão do Mato Grosso e da Bahia poderão exportar diretamente por portos do Norte e Nordeste, encurtando distâncias e reduzindo frete. Estima-se que o custo logístico possa cair entre 10% e 15% para essas regiões.

Desafios de infraestrutura

Apesar do potencial, a expansão ferroviária enfrenta obstáculos como necessidade de investimentos bilionários, desapropriações e licenciamento ambiental. A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) projeta que as concessões vigentes exigirão R$ 50 bilhões em obras nos próximos dez anos.

Conclusão: As ferrovias representam uma oportunidade real para desconcentrar os corredores de exportação, mas dependem de planejamento e execução contínuos para se consolidarem como alternativa viável.

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