55 trabalhadores resgatados de trabalho análogo à escravidão em Goiás
55 trabalhadores resgatados de trabalho análogo à escravidão

Fiscais do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) resgataram 55 trabalhadores em condições análogas à escravidão em Cezarina, no sul de Goiás. As vítimas, 9 mulheres e 46 homens, foram encontradas em alojamentos precários, sem banheiro e obrigadas a se alimentar no chão. Elas haviam sido recrutadas na Bahia e em Minas Gerais com a promessa de salários entre R$ 6 mil e R$ 10 mil mensais para extrair palha de milho destinada à produção de cigarros.

Condições degradantes e falsas promessas

De acordo com o auditor-fiscal do MTE que participou da operação, as condições de trabalho eram desumanas. “Há relatos de trabalhadores que precisavam almoçar no chão, fazer necessidades fisiológicas no mato ou em sacolas, inclusive as mulheres, falta de fornecimento de água potável nas frentes de trabalho, falta de EPIs adequados”, afirmou o auditor. A fiscalização ocorreu nos dias 23 e 24 de julho em parceria com o Ministério Público do Trabalho (MPT).

O MTE destacou que o recrutamento foi feito por intermediários conhecidos como “gatos”, que usavam grupos de aplicativos de mensagens para atrair trabalhadores com ofertas enganosas. “O trabalho análogo à escravidão foi caracterizado principalmente pela forma como os trabalhadores foram atraídos, por meio de falsas promessas”, explicou o órgão em nota.

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Versão do empregador

Procurado pelo g1, o empregador negou as acusações. Ele afirmou que os trabalhadores ficaram ociosos devido a um problema com a palha de milho e que inicialmente seriam registrados em outra empresa, que desistiu do negócio, deixando as despesas sob sua responsabilidade. Segundo ele, em determinado momento, a maioria dos trabalhadores se recusou a trabalhar, permanecendo em casa por conta própria. O empregador participou de uma reunião com o MTE, na qual os trabalhadores manifestaram o desejo de voltar para casa, mas ele alegou não ter condições de arcar com os custos.

Ele também contestou a promessa de salários de R$ 10 mil, afirmando que apenas dois encarregados ganhariam R$ 6 mil e que todos os colaboradores receberam conforme sua produção. “Os encarregados estavam trazendo colaboradores de todos os lugares sem me comunicar. O próprio MTE permitiu que continuássemos as atividades”, destacou o empregador.

Detalhes da operação

A operação conjunta entre MTE e MPT resgatou 55 trabalhadores, sendo 46 homens e 9 mulheres. Eles estavam alojados na zona urbana de Cezarina e eram transportados diariamente para fazendas onde ocorria a colheita da palha de milho. As irregularidades constatadas incluíam falta de instalações sanitárias, ausência de água potável no local de trabalho e falta de equipamentos de proteção individual (EPIs).

O resgate foi necessário para interromper a situação de exploração, que já durava semanas. Os trabalhadores receberam assistência e foram orientados sobre seus direitos trabalhistas. O caso segue sob investigação do MPT e da Polícia Federal.

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