O agente funerário Matheus, acostumado a lidar com a morte diariamente, viveu o oposto de sua rotina em Rio Claro (SP). Dias após a família de Noah contratar serviços funerários para o sepultamento do recém-nascido, declarado morto após uma parada cardiorrespiratória, ele participou do resgate do bebê. "A gente teve que salvar em vez de sepultar", resumiu.
Preparação do funeral e descoberta no necrotério
Antes da ida ao hospital, todos os procedimentos para o funeral já estavam organizados. Segundo Matheus, os contratos de velório, sepultamento, caixão e flores estavam concluídos. "Estavam arrasados. O pai estava mudo", relembrou. A família já havia passado cinco horas de luto quando a funerária foi chamada para retirar o corpo.
Ao entrar no necrotério da Santa Casa, a assistente funerária Regina percebeu algo incomum. "Aí eu já escutei o invólucro se mexendo e um barulho, querendo respirar", relatou. Apesar do estranhamento inicial, Regina insistiu após notar os sinais. "Fez uma, fez duas, fez três. Na terceira vez eu falei: 'Matheus, o nenê está vivo. Corre atrás de uma enfermeira'", contou. Cada instante, os movimentos de Noah ficavam mais evidentes. "Cada vez ele se mexia mais forte. Nossa, ele está vivo mesmo", afirmou Matheus. Profissionais do hospital foram acionados e o bebê voltou a receber atendimento médico.
O oposto do trabalho funerário
Acostumado a acompanhar despedidas e momentos de luto, Matheus destaca o contraste entre sua função e o desfecho. "Estamos habituados a lidar com o fim da vida, com a morte. Mas dessa vez a gente lidou com a vida. O oposto do nosso trabalho", disse. Regina também se emocionou: "Foi uma felicidade enorme ver essa criança voltar à vida".
Caso sem explicação e investigação
Noah nasceu prematuro e tem fenda palatina, uma malformação congênita que causa abertura no céu da boca. Após um mês internado, sofreu paradas cardiorrespiratórias e foi declarado morto pela equipe médica. Horas depois, foi encontrado respirando no necrotério antes da remoção. O diretor médico da Santa Casa afirma que, do ponto de vista científico, ainda não há explicação. O caso é investigado internamente e pela comissão de ética da instituição.
Atualmente, Noah segue internado em hospital especializado, acompanhado pelos pais, que aguardam sua evolução. A mãe revelou que ele ganhou um novo apelido: "Antes era Nonô. Agora ele é o bebê milagre". O caso também levantou a hipótese da 'Síndrome de Lázaro', quando um corpo apresentava sinais vitais após atestado de óbito, conforme explicam especialistas.



