Três em cada dez armas de CACs estão com registro vencido, aponta anuário
Três em cada dez armas de CACs com registro vencido

Três em cada dez armas de Caçadores, Atiradores e Colecionadores (CACs) estão com registros vencidos no Brasil, segundo o Anuário da Segurança Pública divulgado na quinta-feira (23) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). São cerca de 480 mil armas com certificados desatualizados em todo o país.

O levantamento mostra que existem 1,6 milhão de armas nas mãos de CACs, mas apenas 1 milhão de certificados ativos. No total, o Brasil tem 2,1 milhões de registros de armas de fogo ativos, considerando empresas e cidadãos.

Fiscalização de CACs

A Polícia Federal assumiu a fiscalização dos CACs em julho de 2025, quando havia 1,5 milhão de armas nessa categoria. Antes, a responsabilidade era do Exército. A transição ocorre em meio ao alerta sobre o volume de arsenais com situação irregular.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Para David Marques, gerente de programas do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o número é alarmante. "Na prática, significa que o Estado brasileiro não tem pleno conhecimento sobre o paradeiro dessas armas, que foram adquiridas legalmente", afirma.

O especialista destaca que é real a possibilidade de esses armamentos não estarem mais com os proprietários originais, seja por venda sem registro de transferência, extravio, roubo, furto ou perda. "É uma política que precisa ter atenção. Saiu um pouco do centro do debate nos últimos anos, mas ainda é um aspecto muito importante para podermos ter uma política de controle mais responsável com relação a esse armamento de civis", completa.

Crescimento do arsenal

O Brasil facilitou o acesso a armas durante o governo de Jair Bolsonaro (PL), de 2019 a 2022. No último ano da gestão, o país chegou a registrar mais de 580 mil novos registros de armas. Nesse período, a pistola 9mm deixou de ser uma arma rara para se tornar a mais popular do país, por ser mais rápida que revólveres e mais potente que a pistola 380.

Além do estoque em mãos de civis, as polícias estaduais apreenderam 108.786 armas ao longo de 2025, um aumento de 5,4% em relação a 2024, conforme o Anuário.

Outros indicadores de segurança

O Anuário da Segurança Pública de 2025 traz outros destaques. Os feminicídios bateram recorde, com uma média de quatro mulheres mortas por dia. Foram 40.775 assassinatos no total, o menor número desde 2012, quando o levantamento começou. A taxa de mortes violentas ficou em 19,1 por 100 mil habitantes, pela primeira vez abaixo de 20.

Violências contra a mulher também cresceram: casos de violência psicológica (17%), stalking (30%), descumprimento de medida protetiva (17%) e ameaças (0,5%). O Brasil registrou três tentativas de feminicídio para cada crime consumado.

As dez cidades mais violentas estão no Nordeste, metade na Bahia. Maranguape (CE) lidera pelo segundo ano consecutivo, com a única taxa acima de 100 mortes violentas por 100 mil habitantes. Santa Catarina tornou-se o estado com menor taxa (7,6), posição ocupada por São Paulo desde 2014.

Mortes cometidas por policiais aumentaram 5% em 2025, enquanto mortes de policiais caíram 3%. Registros de produção, posse ou distribuição de conteúdo de abuso sexual infantil cresceram 25%. Casos de bullying e cyberbullying aumentaram mais de 60% entre jovens, após a criação de tipo penal específico em 2024.

O número de adolescentes em cumprimento de medida socioeducativa caiu 54% em nove anos, totalizando 12,2 mil jovens, a maioria meninos (93%), negros (74%) e entre 16 e 18 anos (76%). As ocorrências mais comuns são roubo (29%) e tráfico de drogas (28%).

A população prisional cresceu 6%, chegando a 964 mil presos. Se mantida a tendência, o Brasil pode atingir 1 milhão de presos em 2027.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar