Trans morta a tiros na Zona Leste de Teresina; caso é investigado
Trans morta a tiros na Zona Leste de Teresina

Uma mulher trans identificada como Tabatha Lavinny foi encontrada morta com marcas de tiros na manhã deste domingo (2) em uma rua do bairro Pedra Mole, na Zona Leste de Teresina. De acordo com o 5º Batalhão da Polícia Militar do Piauí (5º BPM), testemunhas relataram que a vítima caminhava quando passou a ser seguida por um carro. Momentos depois, ocupantes do veículo dispararam várias vezes contra ela, que não resistiu e morreu ainda no local.

O 5º BPM foi acionado para atender a ocorrência, registrada no começo da manhã. Peritos do Instituto de Medicina Legal (IML) e da Perícia Técnica compareceram ao local para realizar os procedimentos. Até a última atualização desta reportagem, nenhum suspeito havia sido identificado ou localizado.

Informações preliminares

De acordo com o 5º BPM, familiares da vítima estiveram no local e disseram que Tabatha era usuária de drogas, possuía dívidas relacionadas ao tráfico de entorpecentes e praticava furtos para sustentar o vício. A polícia, no entanto, reforça que essas informações são preliminares e não apontam, de imediato, a motivação do crime.

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A investigação ficará a cargo do Departamento de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP), que deverá colher depoimentos e analisar materiais periciais. Ainda não há informações sobre a dinâmica exata dos disparos nem sobre a identificação dos autores.

Nota da Coordenadoria de Proteção aos LGBTQIAPN+

A Coordenadoria de Proteção aos LGBTQIAPN+ da Secretaria de Estado da Segurança Pública do Piauí (SSP-PI) divulgou uma nota em que manifesta tristeza e indignação com o assassinato. O órgão afirmou que acompanha o caso e cobra uma investigação rigorosa.

Na nota, a coordenadoria destaca que o Piauí, até então, não tinha registros de assassinatos de pessoas trans notificados em âmbito nacional em 2025. O texto diz: "Recebemos com profunda tristeza e indignação a notícia do assassinato de uma mulher transexual, ocorrido na manhã de hoje, na Zona Leste de Teresina. Até então, o Piauí figurava entre os estados sem registros de assassinatos de pessoas trans notificados em âmbito nacional ano de 2025. Hoje, essa realidade foi interrompida por mais uma vida brutalmente ceifada pela violência, em um contexto que exige investigação rigorosa para esclarecer as circunstâncias e a motivação do crime."

O documento afirma ainda que "não podemos naturalizar a violência que atinge a população trans e travestis". Para a coordenadoria, o preconceito, a discriminação, o ódio e a transfobia continuam produzindo exclusão, sofrimento e morte. A nota também manifesta solidariedade aos familiares e amigos, reforça o compromisso com a defesa dos direitos humanos e defende o fortalecimento de políticas públicas de proteção, acesso à justiça e respeito à diversidade.

Investigação e repercussão

O DHPP será o responsável por conduzir o inquérito. A Coordenadoria de Proteção aos LGBTQIAPN+ informou que seguirá acompanhando os desdobramentos e vai cobrar esclarecimentos sobre as circunstâncias e a motivação do crime. A apuração vai considerar todas as linhas de investigação, inclusive a possibilidade de crime de ódio.

O caso de Tabatha Lavinny chama atenção para a situação de vulnerabilidade da população trans no Brasil. Segundo a nota da SSP-PI, o crime interrompeu uma situação até então observada no Piauí, que não aparecia em levantamentos de assassinatos de pessoas trans em 2025. A coordenadoria considera urgente ampliar as políticas de proteção e garantir que os responsáveis sejam punidos.

A Polícia Militar orienta que informações sobre o paradeiro dos suspeitos podem ser repassadas pelo telefone 190. A ocorrência foi registrada como homicídio consumado e está sob responsabilidade da Polícia Civil do Piauí. O g1 Piauí segue acompanhando o caso e aguarda novas manifestações oficiais.

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