Torção intestinal causa morte de adolescente em São Carlos após alta da UPA
Torção intestinal causa morte de adolescente em São Carlos

O laudo do Serviço de Verificação de Óbitos (SVO) apontou 'choque circulatório' e 'torção da alça intestinal' como causas da morte de Caio Vinicius de Oliveira, de 15 anos, ocorrida na quinta-feira (25), um dia após ele ser medicado e liberado na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Vila Prado, em São Carlos (SP), sem que exames fossem realizados. A família do adolescente questiona o atendimento médico prestado.

O que diz o laudo

Segundo a Sociedade Brasileira de Coloproctologia, a torção da alça intestinal, popularmente conhecida como 'nó nas tripas', é uma condição grave que pode bloquear a passagem de alimentos e interromper a circulação sanguínea em parte do intestino. O laudo do SVO confirmou essa condição como causa do óbito, juntamente com o choque circulatório.

Quem era Caio

Caio Vinicius era descrito por familiares como um menino bom, educado, estudioso e com sonho de ser jogador de basquete. A tia, Ana Claudia Aparecida de Lima, contou que ele estudava em período integral e não gostava de 'rua, bagunça, nada'. A madrinha, Tamires Roganti Oliveira, afirmou que o adolescente era dedicado, nunca deu trabalho na escola, amava jogar basquete e se divertir com videogame. 'Me despeço de um menino que marcou nossas vidas com a sua educação, o seu coração bondoso, o seu jeito especial de viver', disse Tamires. Caio também havia manifestado o desejo de estudar Tecnologia da Informação.

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Família questiona atendimento

A mãe, Beatris Regina de Lima, relatou que Caio foi liberado da UPA sem exames. 'A médica não fez nada, nem relou nele. Só olhou para ele e medicou', afirmou. Segundo Beatris, o adolescente foi atendido por duas médicas, que não teriam realizado avaliação detalhada. Ele recebeu medicações na veia, mas continuou com dor. Após retornar ao consultório, uma nova medicação foi administrada, e Caio disse que a dor havia amenizado, sendo liberado. Durante o restante do dia, permaneceu debilitado, com fraqueza e dificuldade para ficar em pé. Na madrugada de quinta-feira, o quadro piorou: ele sentiu dor no peito e tontura, perdeu a consciência e o Samu foi acionado. A mãe relatou demora no início do atendimento, pois a enfermeira teria permanecido dentro da ambulância por alguns minutos antes de entrar na residência.

Posição da prefeitura

A Prefeitura de São Carlos informou que Caio foi atendido por uma médica às 5h33, com queixa de dor epigástrica e vômitos, sem febre ou outros sinais de alerta. Recebeu medicação com buscopan, cimetidina, dipirona, decadron e dramin, e após reavaliação às 7h18, apresentou melhora e recebeu alta. Sobre o Samu, a prefeitura detalhou que a primeira equipe (USB) foi acionada às 3h25 e chegou às 3h31, e a segunda (USA) foi acionada às 3h39 e chegou às 3h48. A USB deixou o local às 4h24. Após o laudo, a prefeitura anunciou abertura de sindicância para apurar responsabilidades, com análise de prontuário, protocolos e documentação. A nota afirma que 'qualquer conclusão sobre eventual responsabilidade deve ser baseada na análise técnica completa dos documentos médicos, do laudo pericial e da evolução clínica do paciente, respeitando o devido processo de apuração e evitando julgamentos precipitados e políticos'. O caso foi registrado na Polícia Civil como morte natural.

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