Moradores do Complexo da Penha, na Zona Norte do Rio, relataram um intenso tiroteio na região entre a noite de segunda-feira e a madrugada desta terça-feira, com uso de balas traçantes. De acordo com relatos, um forte estouro foi ouvido por volta de meia-noite e meia na localidade da Chatuba, causado pela explosão de um artefato lançado por drone que atingiu uma piscina no quintal de uma casa. Também houve relatos de explosão no Morro do Sereno.
Polícia Militar confirma uso de drones e reforça policiamento
A Polícia Militar informou que equipes da Unidade de Polícia de Proximidade (UPP) do Complexo da Penha, após monitoramento, identificaram que drones lançaram artefatos explosivos nas proximidades do Morro do Sereno. Segundo a corporação, os tiros disparados na comunidade foram em direção à Cidade Alta. O policiamento foi intensificado na região.
Setes casos de explosões por drones desde março
Um levantamento do EXTRA mostra que, desde março deste ano, foram pelo menos sete casos de explosão de artefatos lançados por drones, seja em treinamentos de criminosos ou em ataques. A maioria ocorreu nos últimos três meses, período em que as disputas territoriais se intensificaram. O episódio mais recente aconteceu no último sábado, quando duas pessoas que montavam brinquedos em uma festa infantil de rua ficaram feridas após uma bomba lançada por drone na Favela dos Dourados, em Cordovil, na Zona Norte.
Disputa entre CV e TCP intensifica ataques
A comunidade dos Dourados, com maior parte do território controlada pelo Comando Vermelho (CV), vem sendo alvo de ataques de traficantes do Terceiro Comando Puro (TCP) ligados a Álvaro Malaquias Santa Rosa, o Peixão. O criminoso, um dos chefes da facção, domina favelas vizinhas — Parada de Lucas, Cidade Alta, Vigário Geral, Pica-Pau e Cinco Bocas —, região apelidada por ele de Complexo de Israel.
Treinamento com drones cancelado por vento forte
Antes do ataque à Favela dos Dourados, na madrugada do dia 31, uma granada explodiu e atingiu um imóvel no Complexo da Penha durante um suposto treinamento para uso de drones em guerras ou monitoramento de rivais e da polícia. O conjunto de favelas tem o tráfico comandado por Edgar Alves de Andrade, o Doca ou Urso. Segundo a polícia, ele é suspeito de integrar a cúpula do CV e ordenar ataques a territórios controlados por outras facções.
A polícia investiga a informação de que um “aulão” para ensinar o uso desses equipamentos chegou a ser marcado no Complexo da Penha. O evento foi anunciado em postagem nas redes sociais por uma pessoa ligada a um traficante da região. Imagens recebidas pela Polícia Civil mostram homens armados com fuzis caminhando em direção ao suposto local de treinamento. À frente deles, uma mulher carregando uma criança abria caminho. Em outra imagem, oito fuzis estão encostados em uma parede. A aula, marcada para 17 de julho, acabou não ocorrendo devido aos ventos fortes.
Drones também usados para monitoramento, diz investigador
Um policial que investiga o tráfico no Complexo da Penha revelou que os bandidos, além de utilizarem drones para lançar granadas, também têm veículos não tripulados capazes de localizar outras aeronaves do mesmo tipo. — Eles usam os drones para fazer monitoramento. O equipamento funciona como se fosse um radar. Ele é capaz de informar se há outro drone na área e de onde a aeronave está sendo operada — explicou o investigador.
Outras vítimas dos ataques com drones
Os feridos na explosão da Favela dos Dourados não são as únicas vítimas do perigo que vem do céu. No dia 29 de maio, um adolescente de 15 anos sofreu fratura exposta em uma das pernas. Ele estava no Morro da Caixa D’Água, na Penha, quando um drone teria lançado uma granada. Quase dois meses antes, no dia 30 de março, outro explosivo atingiu um imóvel na Vila do Sapê, em Curicica, na Zona Sudoeste, durante ataque de traficantes do CV a área dominada pela milícia.
Outros casos ocorreram em junho e julho. Os que mais chamaram a atenção foram o de um prédio atingido por artefato no Parque Dois Irmãos, em Curicica, e o de uma granada encontrada sobre uma creche na Favela do Dique, no Jardim América, na Zona Norte. Neste último, o explosivo foi encontrado intacto e precisou ser detonado pelo Esquadrão Antibombas.



