O tenente da Rota Ronickson Pimentel dos Santos, de 39 anos, baleado na cabeça em 27 de junho, segue internado em estado grave na UTI do Hospital Estadual Mário Covas, em Santo André (Grande SP). Segundo boletim do 1º Batalhão de Polícia de Choque (Rota) divulgado nesta quarta-feira (8), o oficial apresenta estabilidade clínica e sinais de melhora. Ele é irmão de Eloá Pimentel, vítima de um crime que chocou o país em 2008.
Evolução do quadro e procedimentos médicos
Uma tomografia de crânio realizada na quarta-feira mostrou melhora parcial do edema cerebral e redução dos coágulos residuais. O quadro infeccioso evoluiu positivamente, com exames laboratoriais em queda e ausência de febre. A pressão intracraniana permanece estável em níveis baixos, com o dispositivo de drenagem funcionando normalmente.
O oficial segue entubado, em ventilação mecânica e sob sedação. Segundo a PM, ele está estável do ponto de vista hemodinâmico, com uso de medicação de suporte em baixa dose. A função renal permanece estável, com diurese preservada, e o paciente continua recebendo dieta enteral. O vasoespasmo cerebral, condição associada ao trauma e monitorada desde o início da internação, segue sendo acompanhado e tratado pela equipe médica.
Diante da melhora do quadro infeccioso e da evolução clínica, a equipe médica programou para a manhã desta quinta-feira (9) a realização de traqueostomia e gastrostomia. Segundo a PM, os procedimentos são habituais em pacientes com internação prolongada em terapia intensiva e visam proporcionar mais segurança e conforto, além de favorecer as próximas etapas do tratamento.
Investigação e prisões
A Polícia Militar prendeu três suspeitos de participação na tentativa de assassinato contra o tenente. A prisão mais recente ocorreu em Heliópolis, na zona sul da capital paulista, na noite de terça-feira (7). Segundo a investigação, Luiz Henrique de Oliveira Nascimento, de 34 anos, não teve participação direta no crime, mas teria abandonado a moto usada no ataque. Ele foi levado ao Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) para averiguação.
Luiz Henrique é o terceiro preso na investigação. Os dois primeiros eram amigos de Hércules Costa Siqueira, o suposto atirador que está foragido e agora consta na lista vermelha da Interpol. Os dois teriam dado apoio à fuga dos criminosos, enquanto Luiz Henrique recebeu a ordem de sumir com a moto. Imagens de câmeras de segurança mostram o momento em que ele abandona a motocicleta em uma rua.
Recompensa e buscas pelo atirador
A Secretaria da Segurança Pública (SSP) oferece recompensa de R$ 50 mil por informações que levem à localização de Hércules Costa Siqueira, apontado como o atirador. As denúncias podem ser feitas pelo Disque Denúncia 181 ou pelo site www.ssp.sp.gov.br/denuncia, com sigilo absoluto. Em nota, a SSP informou que “a medida integra os esforços das forças de segurança para identificar, localizar e prender todos os envolvidos no atentado”.
Na sexta-feira (3), a Justiça de São Paulo decretou a prisão temporária de Hércules por 30 dias, autorizando buscas em endereços ligados ao investigado e a quebra de sigilo de dados telefônicos e telemáticos. Segundo a investigação, Hércules, conhecido como “Golias” ou “Peruca”, estava na garupa da motocicleta que acompanhava o policial no momento do atentado. Ele possui antecedentes criminais por roubos e homicídio.
Mortes em confrontos com a Rota
Entre os dias 29 de junho e 2 de julho, três homens morreram em ações da Rota na capital e no litoral, após denúncias que os relacionavam ao ataque. A primeira morte ocorreu na madrugada de 29 de junho, na Estrada do Aricanduva, zona leste. Segundo a PM, houve confronto e o suspeito foi baleado. Em nota, o major PM Veiga afirmou que “não há elementos que relacionem o homem morto aos autores da tentativa de homicídio contra o tenente”.
Na quarta-feira (1º), outra denúncia levou a um confronto em Guaianases, também na zona leste. O suspeito foi baleado e morreu no hospital. A SSP informou que “não atribui ao homem morto a condição de suspeito da tentativa de homicídio contra o Tenente Pimentel”. O caso foi registrado como morte decorrente de intervenção policial.
A terceira morte ocorreu em Peruíbe, litoral paulista, na noite de quinta-feira (2). Elenilson Misael da Silva, conhecido como “Galego”, apontado como integrante de organização criminosa, morreu durante confronto com a Rota. Segundo o boletim de ocorrência, ele é suspeito de participação no atentado. Policiais encontraram quatro estojos de munição vazios ao lado do carro dele.
Histórico do crime
O tenente foi baleado na cabeça por dois homens em uma moto em São Caetano do Sul, na Grande São Paulo, em 27 de junho. A SSP oferece recompensa de R$ 50 mil por informações que levem à prisão de Hércules. A investigação aponta que o atentado foi executado por uma organização criminosa com funções previamente divididas e que a vítima teria sido monitorada antes do crime.



