Os registros de furtos e roubos contra motoristas de aplicativo em Campinas (SP) cresceram 48% em 2025, passando de 73 casos em 2024 para 108 no ano passado, segundo dados da Secretaria de Segurança Pública (SSP) obtidos via Lei de Acesso à Informação (LAI). Até abril de 2026, 30 boletins de ocorrência já foram contabilizados. O levantamento considera ocorrências em vias públicas com vítimas identificadas como motoristas de aplicativo, mas não confirma se estavam trabalhando no momento dos crimes.
Insegurança na rotina dos motoristas
O motorista Rogério de Jesus, que atua há seis anos, teve o carro roubado em 2025 por passageiros durante uma corrida na madrugada. "Foi passada uma corrida via aplicativo. Chegando no local, era em nome de terceiros e eles me mostraram o print da corrida. Abri a porta, eles entraram no carro e no que eu virei a esquina ele já falou assim: 'nem precisa ir seguir mais com o carro, porque isso é um assalto'", relatou. O veículo foi recuperado, mas o prejuízo foi de R$ 6 mil, o que o levou a priorizar corridas na região central.
Grupos de WhatsApp como ferramenta de proteção
Paulo César Madruga, motorista desde 2017, passou a participar de grupos de WhatsApp após um latrocínio na cidade. "Nós temos grupos de WhatsApp, onde a gente troca ideias e orienta principalmente os novatos. Também temos pontos de encontro aqui no Centro. A gente notou que os criminosos utilizam corridas em dinheiro. Então, hoje a gente tem essa ferramenta que bloqueia o dinheiro e dá mais segurança para nós. Eu sei que não é 100%, mas já é alguma coisa", contou. Ele destacou que a insegurança é constante: "Graças a Deus, hoje eu estou aqui com vida, mas tenho colegas que não estão aqui para contar a mesma história".
Câmeras com identificação facial como solução
O especialista em segurança Ruyryllo de Magalhães defende uma ação conjunta entre polícias, empresas e motoristas. "É preciso ter uma junção dos trabalhos da segurança pública, das empresas de aplicativo e dos motoristas. O ideal seria até ter câmeras de reconhecimento facial dentro dos carros. Entrou no carro, já identifica. Abriu a porta, lá atrás já tem a câmera, filma a pessoa e já sabe quem é. Isso ajuda na identificação", afirmou.
Posição das entidades
A Associação de Motoristas de Transporte de Aplicativo do Estado de São Paulo (Amobitec) defende uma política pública de segurança efetiva, com instalação de câmeras nos veículos e pagamento exclusivo por cartão. A entidade já enviou projetos às plataformas. Até o fechamento da reportagem, a Uber e a SSP não se manifestaram.



