Roubo sofisticado no Morumbi: quadrilha de 12 leva R$ 2 milhões
Roubo no Morumbi: 12 criminosos levam R$ 2 milhões

Uma ação criminosa de alto nível na região do Morumbi, zona sul de São Paulo, mobilizou 12 assaltantes armados que roubaram aproximadamente R$ 2 milhões em joias, relógios e outros objetos de valor de uma residência de alto padrão. O grupo agiu com planejamento meticuloso, utilizando três veículos e um falso entregador para acessar o condomínio. A polícia prendeu um suspeito na última sexta-feira, 24, e recuperou um dos relógios roubados.

Modus operandi: falso entregador e divisão de tarefas

O crime ocorreu por volta das 13h45 do dia 4 de janeiro, um domingo. Um homem estacionou uma Fiat Fiorino na Rua Emilio Pedutti e interfonou no condomínio, alegando ter uma entrega. “Eles montam uma prancheta para dar aparência de legalidade”, explicou ao Estadão o delegado Gilbor Miter Júnior, do 34º Distrito Policial (Vila Sônia). O falso entregador chegou a mencionar o nome de uma moradora, indicando que o grupo tinha informações prévias.

Assim que o porteiro liberou a entrada, dois homens vestindo roupas da Seleção Brasileira saíram rapidamente do veículo e renderam o funcionário, enquanto um quarto comparsa monitorava o movimento. Todos os quatro estavam sem capuzes. Poucos minutos depois, os criminosos liberaram o portão e dois carros com placas clonadas – um Ford Fiesta e um Volkswagen Passat, ambos prata – entraram no condomínio. De cada veículo saíram quatro homens, agora encapuzados e vestidos de preto.

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Invasão e especialização da quadrilha

Os ladrões foram direto para a casa alvo. O acesso se deu pelo arrombamento da porta da cozinha. “É uma quadrilha extremamente profissional”, afirmou o delegado. “O que nos chama bastante atenção é que alguns dos indivíduos estão com colete balístico, armas, pistolas e carregadores alongados, com maior capacidade para disparo, além de roupa tática.”

Imagens de câmeras de segurança mostram um dos assaltantes baixando a cortina da cozinha para evitar suspeitas, enquanto outros vasculhavam a residência. Além de joias, relógios de luxo e bolsas de grife, os criminosos levaram um cofre inteiro. O prejuízo total estimado pelas vítimas foi de R$ 2 milhões.

Tentativa de fuga com disparos: carro blindado salvou família

Quando parte da quadrilha ainda estava na casa, os criminosos que mantinham o porteiro refém avisaram que os proprietários estavam chegando. O casal retornava de um almoço com uma bebê. O motorista percebeu algo estranho e fez uma manobra rápida. Pelo menos um disparo de arma de fogo atingiu o veículo, mas, como era blindado, a família conseguiu fugir sem ferimentos. A polícia instaurou inquérito por tentativa de latrocínio (roubo seguido de morte) devido aos disparos.

Investigação e prisão

Até o momento, a polícia coletou imagens de câmeras de segurança e ouviu vítimas e testemunhas. Dois indivíduos foram identificados por trabalho de inteligência. Na última semana, foram cumpridos dois mandados de prisão temporária contra esses alvos e cinco de busca e apreensão em endereços no Campo Limpo e Paraisópolis, também na zona sul.

O único preso foi localizado quando chegava em casa, no Campo Limpo. Na residência da namorada dele, foram encontradas as roupas usadas no dia do crime e um dos relógios roubados. “Ele disse que não conhecia ninguém, mas foi ‘contratado’ por R$ 20 mil apenas para abrir as portas da residência”, afirmou o delegado. Nos endereços ligados ao outro alvo, a polícia apreendeu um moletom que teria sido usado no crime, mas o homem ainda não foi localizado. As investigações prosseguem.

Conexão com a gangue do Minotauro

O delegado destacou que uma quadrilha com 12 pessoas foge do padrão. “Foi um roubo a residência com falso entregador, 12 assaltantes, três veículos envolvidos, arma de grosso calibre, colete à prova de balas – o que é uma inovação –”, disse. A polícia não descarta relação do grupo com a gangue do Minotauro, principal quadrilha de roubo a residências em São Paulo, cujo líder, Diego Fernandes de Souza, o Minotauro, foi preso no ano passado. O modus operandi é semelhante: criminosos altamente especializados, com roupas cobrindo todo o corpo e divisão de tarefas para invadir casas de alto padrão.

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