A prefeitura do Rio de Janeiro anunciou nesta segunda-feira a antecipação de seus protocolos climáticos — normalmente acionados no verão — devido à previsão de um Super El Niño intenso. O fenômeno, caracterizado pelo aquecimento atípico das águas do Oceano Pacífico, deve agravar as altas temperaturas e as tempestades na cidade a partir do final do inverno.
Antecipação de medidas e mobilização
Equipes de mais de 50 órgãos estão mobilizadas para atuar em situações extremas. O prefeito Eduardo Cavaliere explicou em coletiva no Centro de Operações e Resiliência (COR) que a preparação é similar à feita para o verão, mas antecipada. “No fundo, estamos antecipando a preparação que a cidade já faz todos os anos para lidar com o verão. Parte dos efeitos desse Super El Niño, para a realidade da nossa cidade, é como se tivesse a antecipação dos efeitos do verão”, disse.
Previsões e riscos
Juliana Hermsdorff, meteorologista do Sistema Alerta Rio, afirmou que a probabilidade de o El Niño ser “muito forte, principalmente no final da primavera e o início do verão” é de 81%, entre outubro e dezembro. Ela destacou que as áreas urbanizadas formam ilhas de calor, e o El Niño reforçará as temperaturas elevadas e as chuvas intensas. “É normal a gente já ter no verão e na primavera temperaturas mais elevadas. Temos grandes áreas urbanizadas que aumentam a temperatura, formando ilhas de calor. Então, os impactos do El Niño vão reforçar principalmente essa questão da temperatura, um combustível formador de chuvas intensas aqui na cidade do Rio”, explicou.
Alerta máximo e protocolos
Rodrigo Gonçalves, subsecretário de Defesa Civil, informou que a prefeitura está colocando em alerta máximo todas as secretarias e órgãos de prevenção e resposta. Atualmente, há cinco níveis operacionais, sendo o 5º nunca atingido. Mais de cinquenta protocolos estão instituídos, incluindo o de ressaca em parceria com a Marinha, que interdita a ciclovia Tim Maia em caso de maré alta, após o desabamento de 2016 que matou duas pessoas.
Obras de infraestrutura
Obras do PAC estão em andamento para mitigar alagamentos. Em Realengo, a primeira fase das obras de drenagem será entregue ainda este ano, com a construção de um piscinão. Em Acari, as obras de ampliação da calha do rio duram três anos. No Jardim Maravilha, a segunda fase com diques já começou. Na Maré, um parque linear será construído onde havia um lixão, com redes de drenagem e esgoto. Na Rocinha e no Complexo do Alemão, há planejamento para infraestrutura integrada. Na Grande Tijuca, está prevista a conexão dos rios Maracanã e Joana para desviar excedentes de água.
Parques urbanos e arborização
A prefeitura investe em parques urbanos para ampliar a vegetação e oferecer conforto térmico. Novos parques estão em construção, como o Terra Prometida (Santa Cruz), Linear da Maré, do Tanque, Taquara Fazenda Baronesa, Guadalupe, Jardim do Amanhã e do Saber. Em 2025, já foram plantadas 112,4 mil árvores, totalizando 417,5 mil desde janeiro de 2023, com prioridade para as zonas Norte e Oeste.
Mega ralos e desobstrução
Foram instalados 70 mega ralos ao longo da Avenida Brasil, mas a equipe do GLOBO flagrou equipamentos quebrados e cheios de lixo em Manguinhos. A Secretaria de Conservação informou que enviará equipe para vistoria. A operação de desobstrução removeu 129 toneladas de lixo de 1,7 km de rede de drenagem. A “Operação Moto Ralo” usa 10 motocicletas para agir rapidamente em alagamentos. O desassoreamento de rios removeu 257 mil toneladas de resíduos em mais de 70 km de canais.
Protocolo de calor
Implementado após a morte de uma fã em show da Taylor Swift em 2023, o protocolo de calor tem cinco níveis. No nível 4 (índice de calor acima de 40°C por três dias consecutivos), são abertos pontos de resfriamento, aulas de educação física são transferidas para locais cobertos e há pausa para hidratação de trabalhadores expostos ao sol. O secretário de Saúde, Rodrigo Prado, destacou que 40% do território sofre alto impacto do calor, afetando crianças, idosos e pessoas em situação de rua.
O que é o El Niño?
O El Niño é um fenômeno natural de aquecimento anormal das águas do Pacífico Equatorial, que altera padrões climáticos globais. A NOAA confirmou o fenômeno em junho, com 63% de probabilidade de intensidade muito forte entre o fim de 2026 e início de 2027. Modelos indicam aquecimento acelerado desde maio, com impactos severos no Brasil.



