Resposta ao crime organizado deve ser regional e integrada
Resposta ao crime organizado precisa ser regional

Uma operação recente contra o PCC no centro financeiro de São Paulo expôs uma realidade que não pode ser ignorada: o crime organizado não respeita fronteiras ou jurisdições. O enfrentamento a essa ameaça não pode ficar restrito a um único país ou a uma única instituição.

Esse é o argumento central do artigo de opinião: a resposta ao crime organizado tem de ser regional. Nenhuma nação sozinha, tampouco uma força policial ou um ministério público isolado, pode pretender ter capacidade de desmantelar redes criminosas que atuam em múltiplos estados e países.

Limites da resposta nacional

Historicamente, o Brasil tem enfrentado o crime organizado com campanhas nacionais e megoperações ocasionais. Essas ações, embora importantes, tendem a ser reativas e fragmentadas. O PCC, por exemplo, demonstrou capacidade de expandir sua influência para além de São Paulo, estabelecendo conexões em outros estados brasileiros e em países vizinhos.

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O compartilhamento de inteligência, as investigações conjuntas e a harmonização de marcos legais são essenciais. No entanto, esses elementos são frequentemente prejudicados pela falta de coordenação entre órgãos federais e estaduais, bem como por rivalidades institucionais. Instituições mais fortes não são apenas uma questão de mais recursos; exigem mudança de cultura e, sobretudo, uma visão regional.

Cooperação contínua como pilar

A proposta de que a resposta deve ser regional não é mero slogan. Implica a criação de fóruns permanentes de cooperação, nos quais a inteligência seja trocada em tempo real e as operações sejam planejadas de forma conjunta. O combate ao crime organizado é uma maratona, não uma corrida de cem metros. Por isso, a colaboração contínua vale mais do que ações conjuntas esporádicas.

Além disso, a cooperação regional precisa ir além da aplicação da lei. Envolve o Judiciário, unidades de inteligência financeira e mecanismos de recuperação de ativos. As organizações criminosas lucram com a corrupção e a lavagem de dinheiro, que também são transnacionais. Enfrentá-las exige uma abordagem coordenada que inclua instituições fiscais e regulatórias.

Instituições mais fortes além das fronteiras

Para que essa visão se torne realidade, as instituições de cada país precisam ser fortalecidas internamente. Uma polícia minada pela corrupção ou um sistema de Justiça abarrotado de processos não pode contribuir de forma efetiva para uma estratégia regional. Portanto, o fortalecimento institucional é pré-requisito para o sucesso da cooperação.

A natureza global do crime organizado faz com que as respostas regionais precisem estar ancoradas em acordos internacionais. Tratados e mecanismos de cooperação jurídica entre países devem ser atualizados para acompanhar a inovação criminosa. O uso de comunicações criptografadas e de criptomoedas, por exemplo, exige novas capacidades e novas formas de colaboração.

Em síntese, a resposta ao crime organizado não pode ser deixada a um só país ou a um só órgão. A operação em São Paulo é um lembrete de que a ameaça é interconectada. Somente com cooperação regional contínua e com a construção de instituições mais fortes e resilientes será possível reduzir o poder dessas redes criminosas.

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