Na madrugada deste domingo (2), em Ribeirão Preto (SP), o palco Fortalecendo a Cena do João Rock 2026 teve um encerramento à altura da proposta de celebrar a força do rap e do hip hop brasileiros. Criolo, que se apresentava pela primeira vez naquele espaço, subiu ao palco acompanhado do DJ Dan Dan e de uma banda completa para um show que misturou batuques, samba, reggae e poesia.
O Fortalecendo a Cena é um dos espaços mais aguardados do festival, reunindo nomes que representam a cena do rap e do hip hop no Brasil. A estreia de Criolo no palco aconteceu justamente na condição de encerramento, o que deu ao show um caráter ainda mais especial.
Mariô abre a apresentação
A escolha para a abertura foi “Mariô”, canção que chegou com uma batida forte e definiu o ritmo da noite. Já nos primeiros versos, o rapper paulistano mostrou que não estava sozinho: ao fundo, a banda dava o suporte instrumental e o DJ Dan Dan preparava as bases. A plateia, que lotava o espaço, respondeu com palmas e cantos.
Em “Duas de Cinco”, a interação aumentou. Criolo e Dan Dan pediram a participação do público em vários momentos, com o bordão “Geral canta com nóis”. A sintonia da dupla seguiu em “Sistema Obtuso” e “Esquiva de Esgrima”, músicas que mostraram entrosamento tanto no vocal quanto na discotecagem.
Reggae, metais e o reconhecimento ao BaianaSystem
Conforme o show avançava, o repertório foi ganhando outras cores. “Samba Sambei” e “Pé de Breque” trouxeram o reggae para o palco e abriram um espaço especial para os instrumentos de metal, que se destacaram nos arranjos. Já em “Sucrilhos”, DJ Dan Dan assumiu o comando da pick-up antes de voltar aos vocais, mostrando a versatilidade da apresentação.
Um dos momentos mais simbólicos aconteceu na transição entre as músicas. Criolo pediu ao público alguns segundos de silêncio para que todos pudessem ouvir o som do BaianaSystem, que se apresentava simultaneamente em outro palco do festival. “Precisamos aplaudir os nossos irmãos”, declarou. Antes do show, em entrevista ao g1, o rapper já havia comentado a importância desses encontros musicais para a sociedade e para a renovação da cena.
Sucessos e o samba que emocionou
Entre os momentos mais esperados da noite, “Não existe amor em SP” se destacou. A canção foi uma das poucas interpretadas sem a banda, apenas com a voz de Criolo, mas com o coro da plateia substituindo os arranjos originais. Em seguida, o samba tomou conta do palco com “Menino Mimado” e “Lá vem você”.
Antes de apresentar “Linha de frente”, Criolo provocou o público: “Eu quero só ver se vocês vão conhecer. Ela é nova”. A faixa, lançada em 2013 em parceria com Emicida, foi recebida com entusiasmo. Mas foi com “Detalhes de Cetim” que o samba do paulistano atingiu seu auge. O público cantou em um coro quase a capela, e alguns fãs chegaram às lágrimas, em um momento catártico que marcou a reta final do show.
Despedida com sequência de hits
A parte final da apresentação reservou uma fila de sucessos. “Grajauex”, “Subirusdoistiozin” e “Convoque seu Buda” foram entoadas pela plateia, que se tornou a terceira voz do show. Até a última nota, Criolo e seus músicos mantiveram a energia alta, encerrando a participação do palco Fortalecendo a Cena na edição 2026 do festival.
Com esta apresentação, o rapper paulistano reafirmou o papel do espaço como um celeiro de sonoridades que atravessam o rap, o samba e o reggae, sempre com a força da música brasileira.



