O Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar) confirmou nesta quarta-feira (22) que cinco tornados atingiram o estado entre os dias 28 e 30 de junho. Os fenômenos passaram pelos Campos Gerais e região central, nas cidades de Turvo, Inácio Martins, Nova Cantu, Laranjeiras do Sul e Reserva — esta última já havia sido confirmada anteriormente. A análise foi feita com base em campo, mapeamentos por drone, satélite e dados de radar.
Tornado F2 em Reserva e F1 em outras cidades
No dia 28 de junho, Reserva foi atingida por um tornado categoria F2, com ventos estimados em 200 km/h. O fenômeno passou pela localidade rural de Imbú. A prefeitura contabilizou 11 casas com danos significativos e pelo menos 50 pessoas afetadas, sendo que 10 ficaram desalojadas e precisaram se abrigar com parentes ou amigos. Uma moradora teve ferimentos leves. A vegetação e veículos também foram danificados pela força do vento e do granizo. No mesmo dia, Nova Cantu foi atingida por um tornado F1.
Em 30 de junho, Turvo, Laranjeiras do Sul e Inácio Martins foram atingidas por tornados F1. Ainda no dia 30, outro tornado passou novamente por Inácio Martins e chegou a Cruz Machado, mas não foi classificado por não ter causado danos registrados, segundo o Simepar.
Paraná: segundo maior corredor de tornados do mundo
De acordo com especialistas, o Paraná está localizado em uma das regiões mais propensas à formação de tornados no planeta, ocupando o segundo maior corredor do mundo, atrás apenas das pradarias centrais dos Estados Unidos. A professora Karin Linete Hornes, da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), explica que a combinação de massas de ar quente e frio cria o combustível perfeito para a instabilidade atmosférica. "Nós temos sistemas convectivos de média escala que se formam lá no Paraguai, nós temos entradas de frentes frias, muitas vezes que estão associadas também a ciclones que acontecem principalmente no litoral do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Esses três fenômenos formam o combustível perfeito para a instabilidade da atmosfera e para a formação de tornados", detalhou.
Classificação dos tornados na Escala Fujita
No Brasil, o Simepar utiliza a Escala Fujita tradicional para medir a gravidade dos tornados com base nos danos. A escala varia de F0 (ventos entre 65 km/h e 116 km/h, danos leves) a F5 (ventos entre 418 km/h e 511 km/h, destruição extrema).
Outros tornados registrados em 2025 e 2026
Desde o início de 2025, o Paraná registrou diversos tornados. Em setembro de 2025, um tornado F1 passou por Santa Maria do Oeste, com ventos de 120 km/h, deixando moradores mais de 24 horas sem água e luz. Em novembro de 2025, três tornados devastadores atingiram a região central, incluindo um F4 em Rio Bonito do Iguaçu, com ventos próximos a 400 km/h. Seis pessoas morreram em Rio Bonito do Iguaçu e uma em Guarapuava; ao menos 835 pessoas ficaram feridas no estado.
Em janeiro de 2026, um tornado F1 foi registrado em Mercedes (dia 2) e um F2 em São José dos Pinhais e Piraquara (dia 10), com ventos de 180 km/h. Em fevereiro, um tornado F0 atingiu Foz do Iguaçu, o mais brando de todos, afetando apenas uma propriedade.
O primeiro tornado de junho foi confirmado em Reserva, com ventos de 200 km/h e classificação F2. Ao longo dos três dias de temporais, o estado registrou grandes acumulados de chuva, alagamentos e granizo com pedras do tamanho de ovos.



